Entretanto, o Palácio do Planalto planeja responder declarações em que Milei comente questões internas do Brasil como urnas eletrônicas, processo eleitoral e até mesmo comentários sobre Lula. Segundo interlocutores, o Brasil foi avisado pela embaixada da Argentina sobre a ida de Milei ao evento do Flávio. Mas não houve pedido para encontro com autoridade do governo brasileiro. Com Milei, sem vice Flávio Bolsonaro chega à convenção sem o candidato a vice-presidente definido. A indefinição da chapa está diretamente ligada às negociações para ampliar sua base de apoio. O senador quer que a vaga de vice seja ocupada por uma mulher. A estratégia busca aumentar sua aceitação entre o eleitorado feminino, segmento em que registra menor apoio. Cristina avisou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que quer se candidatar à presidência do Senado Federal em 2027. Ela avalia que a participação na campanha presidencial inviabilizaria esta candidatura. Javier Milei posta foto com Flávio Bolsonaro em 29 de junho de 2026 — Foto: Reprodução/@OPRArgentina/Redes Sociais Pesou na decisão dos dois partidos a necessidade de liberar seus correligionários para fecharem alianças estaduais. Em alguns estados, a federação vai estar ao lado de candidatos da direita, mas em outros pode até apoiar aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além das questões regionais, também pesou na decisão o fato de as legendas não estarem animadas com a candidatura de Flávio Bolsonaro, que enfrenta um momento de crise interna. Os partidos também temem o surgimento de novas acusações de ligações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro. Atuação do governo O governo Lula atuou junto a líderes da federação União Progressista para ela optar pela neutralidade pelo menos no primeiro turno da eleição presidencial. Guimarães, que foi líder do governo na Câmara e é conhecido por ter bom trânsito com o Centrão, atuou junto aos líderes do PP, Doutor Luizinho (PP-RJ), e do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (União-MA). Já Edinho manteve conversas com os presidentes dos partidos. O próprio presidente Lula também conversou com líderes dos dois partidos, que até pouco tempo tinham ministros no governo petista, para evitar que eles apoiassem Flávio Bolsonaro, o que lhe garantiria mais verba e tempo de TV e rádio.