Nos últimos dias, dois episódios ocorridos em escolas brasileiras escancararam uma realidade que muitos insistem em negar: o racismo continua disputando espaço com a educação dentro das salas de aula.

Em São Paulo, uma diretora de escola foi constrangida por policiais militares após uma atividade pedagógica baseada no livro Ciranda em Aruanda, que aborda elementos da cultura afro-brasileira. O motivo da mobilização foi um desenho da orixá Iansã produzido por uma criança. Quatro policiais foram deslocados para uma escola de educação infantil. E um deles entrou no colégio com uma metralhadora.

O caso ocorreu em novembro de 2025, mas voltou ao debate agora porque as imagens viralizaram. Em que momento passamos a naturalizar armas na presença de crianças? Mas seguindo…

No Rio de Janeiro, um menino negro raspou o próprio cabelo e passou creme pelo corpo porque queria ficar branco. Antes disso, havia sido vítima de racismo dentro do seu colégio. Sua mãe afirma que a instituição falhou em acolher a situação e em apresentar respostas compatíveis com a gravidade do ocorrido.

Como professora e mãe, esses episódios me doem na alma. São histórias distintas, em locais diferentes, mas, ao final, falam do mesmo tipo de violência. Em um caso, transformam o ensino da cultura afro-brasileira em suspeita e partem para a intimidação. No outro, uma criança aprende que sua cor pode ser motivo de rejeição e, em uma tentativa repleta de dor, busca em sua inocência apagar as razões que o levam a um sofrimento: ele não quer ser negro.