"O Estado tirou o direito de ver meu filho crescer" (Bruna Silva). "Como confunde marmita com revólver"? (Fabiana Hoytil da Silva); "O Estado acabou com a minha vida." (Rosicleide Cruz Bispo de Jesus).

As declarações saíram das bocas de três mulheres que perderam filhos para a violência policial no Brasil nos últimos anos. Além da juventude, Marcus Vinícius da Silva (14), Gabriel Hoytil Araújo (19) e Michel Cruz (21) tinham outro traço em comum: a negritude.

Para vergonha nacional, esse é um padrão que se repete. Os números falam por si e demonstram, ano a ano, que o futuro é um tempo marcado para não se realizar nas vidas de parcela expressiva de brasileiros.

Em 2025, o aumento da letalidade policial foi de 6,4% em relação a 2024. O percentual equivale a 4.330 pessoas mortas em decorrência de intervenção policial (entre as quais, 312 crianças e adolescentes de até 17 anos) em nove dos 27 estados do país.

Pretos e pardos representam 86% dos mortos em razão da intervenção policial. A maioria é de homens jovens, moradores das periferias e favelas, que tiveram as vidas ceifadas antes dos 30 anos.