Temos sido, lamentavelmente, assolados por uma sequência de crimes contra as mulheres. Os dados de ONGs e do próprio poder público mostram o recrudescimento dos feminicídios no Brasil. Quase sempre antecipados por violência doméstica. Relatos de estupros coletivos de meninas e adolescentes chocam a todos. Nada foi mais aberrante do que a declaração de inocência de um abusador que vivia em estado marital com uma menina de 12 anos.

Essas atrocidades cometidas por homens de todas as idades, classes sociais, origens econômicas e políticas de todos os rincões do país não são novas. Alarma o aumento significativo desse tipo de crime, segundo dados publicados pela mídia. Choca a hipócrita normalização do comportamento criminal na sociedade brasileira. Algo vai muito mal em nossa terra.

As principais recomendações apresentadas centraram a criminalização mais efetiva desses eventos lamentáveis. Foi pedido tipificação mais grave para os crimes, aumento das penas, controle mais próximo dos perpetradores reportados, mais casas de proteção às mulheres vítimas. Enfim, mais segurança pública, ação da polícia e mais rigor do Judiciário.

Tudo isso é correto e deve continuar a receber atenção e prioridade da ação pública. Porém, dado o processo social de normalização da conduta criminosa, causa estranheza a ausência do que deveria ser o centro dos debates: a educação.