Pesquisa mostra percepção quase unânime de aumento da violência contra a mulher e baixa confiança nas instituições responsáveis pela proteção das vítimas Violência contra a mulher — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 05:45 Desconfiança em Polícia e Justiça Aumenta em Casos de Violência de Gênero no Brasil, Aponta Datafolha Uma pesquisa do Datafolha revela que a maioria das mulheres brasileiras desconfia da polícia e da Justiça em casos de violência de gênero, com apenas 17% confiando na Justiça e 19% na polícia. O estudo, realizado com 2.004 pessoas, destaca que 89% percebem aumento na violência contra mulheres. A diretora do Movimento Mulher 360, Margareth Goldenberg, ressalta que o medo e a falta de confiança nas instituições dificultam a denúncia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A percepção de aumento da violência contra a mulher é quase unânime no Brasil, mas a confiança feminina nas instituições responsáveis pela proteção das vítimas permanece reduzida. Pesquisa do Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360 aponta que 89% dos entrevistados acreditam que os casos cresceram no último ano, enquanto apenas 17% das mulheres afirmam confiar muito na Justiça e 19% dizem ter alta confiança na polícia. O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em capitais e regiões metropolitanas de todas as regiões do país, entre 6 e 11 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para o total da amostra e de três pontos nos recortes por sexo. Na avaliação sobre a Justiça, 63% das mulheres disseram confiar pouco na atuação institucional em casos de violência e 19% afirmaram não confiar. Em relação à polícia, os percentuais seguem patamar semelhante: 63% relataram confiar pouco e 17% disseram não confiar. O estudo informa ainda que as redes sociais concentram o maior nível de desconfiança. Os dados revelam diferenças entre homens e mulheres na percepção sobre a capacidade das instituições de proteger vítimas de violência. Entre as mulheres, 19% afirmam confiar muito na polícia. Entre os homens, o percentual sobe para 31%, diferença de 12 pontos percentuais. Na Justiça, 23% dos homens disseram confiar muito, ante 17% das mulheres. Outro dado destacado envolve a reação das vítimas após episódios de violência grave. Segundo a pesquisa, 37% das mulheres que afirmaram ter sofrido agressão grave no último ano não adotaram nenhuma medida após a ocorrência. A diretora-executiva do Movimento Mulher 360, Margareth Goldenberg, avalia que o reconhecimento da gravidade da violência não eliminou os obstáculos enfrentados pelas vítimas ao buscar ajuda. — A decisão de denunciar uma violência costuma ser extremamente complexa. Ela envolve medo, dependência emocional, dependência financeira, preocupação com os filhos, vergonha e, muitas vezes, receio de represálias. Mas, quando a mulher também não acredita que será acolhida, protegida ou que terá uma resposta efetiva das instituições, a barreira para buscar ajuda se torna ainda maior — explica. Culpabilização das vítimas e dificuldade de reconhecer sinais iniciais A pesquisa também aponta a permanência de discursos que responsabilizam vítimas pela violência sofrida. Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados concordam com a afirmação de que muitos casos de violência contra a mulher são consequência de opções erradas feitas ao escolher um parceiro — o equivalente a seis em cada dez entrevistados. A percepção sobre o ambiente de maior risco também aparece no levantamento. Para 71% dos entrevistados, as mulheres correm mais risco dentro de casa do que fora dela. Embora formas graves de agressão sejam amplamente reconhecidas pela população, o estudo aponta dificuldade na identificação de comportamentos considerados antecedentes da violência. Entre os entrevistados, 45% afirmaram que impedir uma mulher de sair sozinha para uma comemoração não é violência ou que a classificação depende da relação entre as pessoas envolvidas. Outros 41% não consideram necessariamente violência controlar as amizades da companheira, enquanto 42% responderam da mesma forma em relação ao controle do salário da esposa. Em contraste, 94% consideram violência humilhar uma companheira em público e 95% afirmam que forçar uma relação sexual dentro do casamento configura violência contra a mulher.