Há quem diga que a violência contra a mulher começa com um tapa. Não é verdade. Começa muito antes, em um comentário, um silenciamento, na piada que diminui, no ódio que se espalha pelas redes como se fosse opinião. O Brasil descobriu isso da forma mais dura, com uma mulher sendo assassinada a cada seis horas. A média, neste ano de 2026, é de quatro feminicídios a cada dia. E o que estamos fazendo para interromper essa engrenagem?
O projeto de lei 896/2023, aprovado por unanimidade no Senado em março, finalmente reconhece a misoginia pelo que ela é: uma forma de discriminação estrutural, tão grave quanto o racismo. Agora, o projeto será votado pelo plenário da Câmara dos Deputados e, se aprovado, será uma nova lei.
O projeto define a misoginia como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres, e a inclui na Lei do Racismo, tornando-a crime inafiançável e imprescritível, com penas de 2 a 5 anos de reclusão. Parece básico, mas não é. Porque a misoginia, ao contrário do que muitos querem fazer crer, não é um sentimento particular ou uma opinião inofensiva.
Segundo a Oxfam, são US$ 10,8 trilhões por ano apropriados na forma de trabalho não pago para meninas e mulheres. São elas que cuidam da casa, dos idosos, da alimentação, dos enfermos. E quem lucra com isso não quer que essa estrutura seja abalada.












