PUBLICIDADE Paola Stefany Neto Cirino estava com o filho em hotel de Itabira quando foi presa; ela disse à polícia ter iniciado trabalho de limpeza e decidido, depois, levar itens de valor e tirar a vida do casal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Paola Cirino foi presa sob acusação de matar casal de idosos em BH — Foto: PCMG//Reprodução Redes Sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 11:54 Diarista Confessa Assassinato de Casal Idoso em Belo Horizonte sob "Surto Psicótico" Paola Stefany Neto Cirino, diarista, foi presa em Itabira, MG, acusada de matar um casal de idosos em Belo Horizonte. Durante o interrogatório, ela afirmou ter agido sob um "surto psicótico", ouvindo "vozes" que a mandaram cometer o crime. A perícia identificou mais de 40 facadas nas vítimas. Paola, que negou dívidas com jogos de azar, alegou arrependimento e confessou ter furtado objetos de valor. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A diarista Paola Stefany Neto Cirino, presa nesta quinta-feira sob acusação de matar um casal de idosos num apartamento de alto padrão em Belo Horizonte, confessou ter cometido o crime após ouvir "vozes" no que considerou ter sido um "surto psicótico". O delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, relatou a jornalistas que a mulher se mostrou "bastante confusa" durante o interrogatório, com "falas desconexas" e senso de arrependimento. — A gente conseguiu determinar que ela é uma pessoa bastante confusa, mentalmente falando. Ela tem muitas falas desconexas. Ela trata de um assunto, daqui a pouco ela parte para outro, chora. É uma pessoa com uma instabilidade emocional muito grande. Ela mesma disse: 'Não tenho nenhum juízo. Agora, com esse fato, eu peço perdão à família da vítima e quero tentar reerguer a minha vida e pagar pelo que eu fiz' — contou o investigador. No interrogatório, Paola disse que foi ao local realizar um serviço de limpeza e até iniciou os trabalhos. Enquanto arrumava o quarto do casal — o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 —, viu joias, relógios, outros objetos de valor e certa quantia de dinheiro. Nesse momento, decidiu furtar os objetos. Questionada sobre pelo delegado por que depois decidiu tirar a vida das vítimas "de forma tão cruel", ela disse que não tinha nada contra os dois. — Ela alegou que nunca havia visto essas pessoas na vida. Inclusive, estava bastante arrependida, mas que algumas vozes, por surto psicótico, teria decidido que, para além da subtração dos objetos, deveria retirar a vida das pessoas com a faca, esse meio cruel que ela utilizou — detalhou Barletta. Ainda de acordo com Barletta, Paola pegou remédios que ela mesma usava em tratamento psiquiátrico contra a depressão. Colocou quatro comprimidos do "calmante fortíssimo" num suco que estavam fazendo e serviu ao casal, que começaram a adormecer cerca de 30 a 40 minutos depois. A diarista então foi até o quarto e viu que Cláudio estava sonolento, mas ainda acordado. — Ela decidiu, então, passar às agressões com a faca. Ela disse que, posteriormente a perceber que eles estavam mortos, e ela tentou se garantir disso, que eles não iriam mais reagir, passou a se limpar. Perguntei se ela tomou banho, ela nega, [mas] acredito que ela tenha tomado, a perícia encontrou vestígios disso. Ela assume que trocou de roupas, utilizou roupas da vítima, da senhora, e também pegou a faca que foi utilizada e limpou. Essa faca está na casa. A gente vai tentar apreender essa faca e fazer uma perícia — ressaltou. Inicialmente, o boletim de ocorrência apontou que Cláudio havia sido atingido por 17 facadas. Na manhã desta quinta, Barletta confirmou que a contagem inicial se referia apenas aos golpes no tórax. Ele também tinha marcas no rosto, no pescoço, costas e nuca. Segundo o delegado, o perito estimou que o advogado lhe deu "certeza" que o idoso levou mais de 40 facadas. O investigador afirmou que Maria Clotilde também sofreu "diversos" golpes a faca. A quantidade exata não foi divulgado, pois os laudos periciais ainda precisam ser concluídos. As vítimas foram localizadas já sem vida pelo filho, na terça-feira. Imagens de câmeras de segurança do prédio mostraram a diarista entrando no edifício às 7h30 e saindo às 15h30 de segunda-feira, com duas sacolas e uma bolsa. Roupas com manchas de sangue foram localizadas numa caçamba de lixo. A mulher voltou para casa em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana, na noite de segunda-feira, com uma mochila preta e o filho. Deixou a residência no dia seguinte rumo a Belo Horizonte, onde se hospedou num hotel do bairro Savassi. Na quarta-feira, decidiu ir para a cidade de Itabira e levou o filho consigo. Foi num hotel da cidade da região central do estado que ela foi localizada. Segundo Barletta, Paola não resistiu à prisão. — Ela se demonstrou ser uma mãe muito carinhosa, estava muito preocupada com a criança. Quando a gente chegou, ele ficou muito assustado, mas pelo que a gente pode perceber eles já estavam conversando sobre essa prisão. Ela estava abraçada com ele na cama, chorando. Já esperava que pudesse ser encontrada, já que a repercussão dos fatos foi elevada. Ela disse: 'Eu estava me vendo na televisão a todo momento, estava me sentindo envergonhada, queria nem mais sair na rua' — disse. A defesa de Paola afirmou ao g1 que "os argumentos da defesa serão apresentados no momento oportuno, com base nas provas produzidas durante o processo". À polícia, a mulher negou que a motivação do crime tenha relação com dívidas com jogos de azar, que já teriam sido quitadas por parentes. Mas a principal linha de investigação é de latrocínio — roubo seguido de morte — com motivação financeira.