"A Lei Áurea tem dois artigos", começa a explicação de Helio Santos. "No primeiro ‘declara-se extinta a escravidão no Brasil’. O verbo declarar denota muito: não é um legislador que quer realmente abolir três séculos e meio da saga da escravidão. E, no segundo, ‘revogam-se as disposições em contrário’. Essa foi a primeira grande fake news desse país, porque as disposições em contrário estão aqui até hoje."
Essa foi uma das primeiras falas do ativista e professor no lançamento do seu livro "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo", que aconteceu em São Paulo, na última terça-feira (23). Mais de 200 pessoas esgotaram os ingressos para o lançamento da obra, entre elas personalidades como os escritores Sueli Carneiro e Tom Farias, colunista da Folha, e os cantores Netinho de Paula e Emicida.
Helio Santos, nascido em Belo Horizonte há 81 anos, é figura respeitada no movimento negro. Em 1984, foi presidente-fundador do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra no estado de São Paulo, primeiro órgão criado no Brasil para enfrentar a questão racial após a abolição.
Em 1986, ao lado de 49 brancos, foi a única pessoa negra na Comissão dos Notáveis que tinha como objetivo redigir o esboço da Constituição de 1988.







