Helio Santos é uma das principais referências do pensamento antirracista brasileiro. Ativista, professor e doutor honoris causa pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), dedicou décadas à reflexão sobre as desigualdades raciais e os caminhos para a construção de uma sociedade mais justa.

Em seu novo livro, "14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo", o autor convida os leitores a olhar para o dia seguinte à abolição da escravidão. O lançamento da obra acontece na próxima segunda-feira, dia 23 de junho, às 19h, no Itaú Cultural, em São Paulo. Nesta entrevista, Helio Santos fala sobre sua trajetória, os desafios da agenda racial brasileira e as principais ideias presentes em seu novo livro.

Professor Helio, olhando para sua trajetória, em que momento a questão racial deixou de ser apenas uma percepção pessoal e passou a ser uma missão intelectual e política?

A rigor, não busquei ser um ativista ou um estudioso da temática racial; esta que nunca me abandonou, soprando-me na cabeça desde sempre. Aos 18 anos, ao concluir o ensino médio em Belo Horizonte, onde nasci, fui sorteado com um prêmio: o livro "Kennedy e os Negros", de Harry Golden. Guardo essa preciosidade comigo até hoje. Essa foi uma das inúmeras sincronicidades que fui acumulando ao longo da vida. Durante toda minha trajetória estive em boa companhia, pois nada fiz sozinho. Não desenvolvi uma carreira acadêmica focada na questão racial – meu campo é o da ciência da administração.