O que podemos fazer para que o Brasil seja mais justo? Essa indagação é feita no início do livro "Guia da Gestão Pública Antirracista", publicação escrita de maneira colaborativa por cinco importantes pesquisadores (Clara Marinho, Ellen da Silva, Giovani Rocha, Karoline Belo e Michael França), que se debruçaram sobre o tema numa imersão na Universidade de Oxford, em 2024.

Para além de questionar práticas carregadas de preconceito e discriminação adotadas no setor público, que resultam em exclusão de um segmento específico da população brasileira, a obra joga luz sobre o óbvio que muitos ainda não aceitam: "Ao erguer aqueles marginalizados, não apenas corrigimos injustiças, mas levantamos uma nação inteira", afirmam os pesquisadores.

É sobre isso.

Inúmeros indicadores mostram que a precariedade econômico-financeira alcança e afeta os brasileiros brancos e negros de maneiras distintas. Não é para menos, posto que a origem das nossas desigualdades é de cunho étnico-racial. Não é segredo que este é um país que historicamente discrimina, criminaliza e exclui a maioria negra —56% do povo (IBGE).

Esse é um cenário que foi forjado a partir de escolhas e decisões tomadas pelo Estado —que, é bom lembrar, nada mais é do que um conjunto de pessoas investidas em cargos públicos (senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, servidores...) dotados de poder para decidir os rumos da vida em sociedade.