Aos 7 anos, a estudante Luísa (nome fictício), hoje com 14, começou a ser questionada pelos colegas sobre o tamanho dos seus lábios. O incômodo persiste até hoje, relata à Folha. A jovem chama a atenção pela beleza, mas os episódios de racismo a impedem de se ver dessa forma.
"'Por que sua boca é deste tamanho?'", 'Por que seu cabelo é estranho?'. Comentam muito sobre a minha aparência", diz a adolescente.
O preconceito racial é rotineiro. "Outro dia, na escola, esbarrei num garoto ao passar pela porta. Ele falou: 'tinha que ser preto para fazer isso', como se eu fosse uma coisa e não uma pessoa", diz Luísa.
O estudante Luiz Leonardo da Silva Pereira, 18, transforma as situações que vivencia no dia a dia em música e poesia. O racismo é um dos temas principais da sua arte.
"Sofro racismo na maioria dos lugares. Na rua, pensam que sou um ladrão e desviam. Já jogaram lixo e pedra em mim, por diversão. Fui chamado de 'macaco' algumas vezes. Aos dez anos, estava indo ao Parque Ecológico com a minha mãe e paramos num mercadinho. O dono perguntou aonde íamos. Quando minha mãe respondeu, ele soltou um: 'tá indo ver os parentes?' Na hora eu não entendi", conta Pereira.








