Grupos preparam operação para distribuir abrigo, água e kits de higiene enquanto país enfrenta dificuldades com infraestrutura e serviços de resgate 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Socorristas passam por corpos de vítimas cobertos após os terremotos em La Guaira, na Venezuela, enquanto equipes internacionais reforçam as operações de busca e resgate — Foto: Adriana Loureiro Fernandez/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 12:37 Esforços Humanitários Intensificados Após Terremotos na Venezuela Organizações humanitárias se mobilizam para ajudar até 200 mil pessoas afetadas por terremotos devastadores no norte da Venezuela, que causaram 589 mortes e deixaram 2,9 mil feridos. A infraestrutura precária do país, fragilizada por anos de crise econômica, dificulta os esforços de resgate. A ajuda internacional chega lentamente, enquanto países como EUA, Espanha e China enviam socorristas e recursos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Organizações humanitárias estão se preparando para uma operação de grande escala para fornecer abrigo, água e itens básicos a até 200 mil pessoas que podem ter sido afetadas pelos dois grandes terremotos que atingiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira, segundo o representante de uma organização não governamental de ajuda humanitária em Caracas. Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira deixaram um cenário de devastação, com dezenas de edifícios desabados, especialmente na região de La Guaira, cidade costeira vizinha a Caracas. Jankiel Rosenwald, assessor na Venezuela da World Vision, organização humanitária de base religiosa, disse que sua entidade e outras organizações de ajuda estão elaborando planos para fornecer abrigo, água e kits de higiene aos desabrigados. — Tenho amigos, pessoas que conheço, que passaram a noite passada em praças públicas sem nada além da roupa que estavam vestindo — disse, acrescentando que, mesmo antes dos terremotos, o sistema de saúde e a rede elétrica do país já estavam em condições precárias, enfraquecidas após décadas de dificuldades econômicas. — Isso vai levar tudo ao limite. Autoridades venezuelanas informaram que centenas de edifícios foram destruídos, muitos deles na cidade portuária de La Guaira. Também há preocupação de que as áreas de ocupação precária na região afetada, onde moradias frágeis são construídas em encostas, tenham sofrido danos severos. A crise econômica que o país enfrenta há uma década enfraqueceu os serviços de resgate e, em algumas das áreas mais devastadas pelos terremotos, moradores disseram ter visto poucos socorristas e uma presença mínima do governo. Rosenwald contou que estava na festa de aniversário de 2 anos do filho de um amigo, em um apartamento no décimo andar, quando os terremotos atingiram a região. Segundo ele, as crianças e suas mães gritaram de desespero. Ele foi até seu próprio apartamento para buscar sua cadela, Macarena, e encontrou uma grande rachadura na parede externa do edifício, o que fez o prédio parecer inabitável. Em seguida, ajudou uma vizinha que estava presa em seu apartamento porque a porta havia emperrado. De acordo com Rosenwald, tremores secundários continuaram sendo sentidos com frequência na quinta-feira. — Eu podia ver, por toda a cidade, as pessoas do lado de fora, nas ruas, completamente abaladas, emocionalmente sobrecarregadas e sem saber o que fazer ou como reagir — disse Rosenwald. — As pessoas perguntavam: “Podemos voltar para casa? Deixei tudo lá dentro, as chaves, o celular. Posso subir de novo? Devo?”. Principais desafios Na manhã desta sexta-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o número de mortos pelos terremotos subiu para 589, enquanto 2,9 mil pessoas ficaram feridas. Ela também disse que decidiu “militarizar” a área do estado de La Guaira, indicando que militares venezuelanos já estão no estado. Delcy não especificou, no entanto, o que a medida significará na prática. Forte terremoto atinge a Venezuela 1 de 20 Fotografias aéreas mostra comparação do antes e depois do terremoto em La Guaira — Foto: Vantor / AFP 2 de 20 Equipes de resgate seguem em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes soterrados em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 20 fotos 3 de 20 Um homem inspeciona um prédio de apartamentos que desabou após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira, a cerca de 30 km a noroeste de Caracas, em 25 de junho de 2026 — Foto: FEDERICO PARRA / AFP 4 de 20 Registro mostra o interior de uma casa após terremoto na cidade de Catia La Mar — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 5 de 20 Pessoas dormem na rua após o terremoto em Caracas — Foto: Manaure QUINTERO / AFP 6 de 20 Equipes de socorro, incluindo integrantes da Cruz Vermelha Venezuelana, procuram pessoas que possam estar presas sob os escombros — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 7 de 20 Busca por pessoas que possam estar soterradas em Caracas — Foto: Federico PARRA / AFP 8 de 20 Nos próximos dias, o esforço humanitário deverá se concentrar no resgate de sobreviventes — Foto: Federico PARRA / AFP X de 20 Publicidade 9 de 20 As pessoas retiradas dos escombros estão recebendo atendimento médico em clínicas locais — Foto: Federico PARRA / AFP 10 de 20 Grupos de resgate fazem buscas com pessoas nos escombros em Catia La Mar — Foto: Juan BARRETO / AFP X de 20 Publicidade 11 de 20 Prédios destruídos, feridos e pânico: imagens mostram destruição causada por terremoto na Venezuela — Foto: Juan Barreto/AFP 12 de 20 O governo venezuelano declarou estado de emergência após dois fortes terremotos atingirem o país quase consecutivamente — Foto: Juan Barreto/AFP X de 20 Publicidade 13 de 20 Os tremores foram sentidos até na Colômbia e no Brasil — Foto: Federico Parra/AFP 14 de 20 As cenas em Caracas eram de destruição e pânico — Foto: Federico Parra/AFP X de 20 Publicidade 15 de 20 Pessoas do lado de fora gritavam os nomes de seus parentes, e alguns voluntários escalavam os escombros — Foto: Federico Parra/AFP 16 de 20 Diversas áreas ficaram sem energia elétrica. Muitas ruas estavam cobertas de cacos de vidro — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 17 de 20 Pessoas que evacuaram prédios em Caracas esperaram mais de uma hora antes de retornar — Foto: Manaure Quintero/AFP 18 de 20 Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas — Foto: Manaure Quintero/AFP X de 20 Publicidade 19 de 20 Terremotos causaram destruição na Venezuela — Foto: AFP 20 de 20 Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 32 mortos — Foto: AFP X de 20 Publicidade Prédios desabaram em diferentes partes de Caracas Ao mesmo tempo, a chegada contínua de ajuda internacional e de equipes de resgate não resolve um dos principais desafios do país: a falta de maquinário pesado. Durante a crise econômica da Venezuela, tratores, escavadeiras e outros equipamentos pesados pertencentes ao Estado se deterioraram por falta de peças de reposição e manutenção. Equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países estão sendo mobilizadas para ajudar, anunciou a ONU nesta sexta-feira. Socorristas de El Salvador e do México já desembarcaram em Caracas. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e suprimentos enviados pelo Chile e pela Suíça. As operações de resgate avançam lentamente, e ainda há corpos visíveis sob os escombros. Países como Espanha, Portugal e China anunciaram mortes e desaparecimentos de seus cidadãos. A Espanha confirmou quatro mortos e 99 desaparecidos. Portugal informou nove mortos e 56 cidadãos ainda não localizados. Enquanto isso, a líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, pediu a libertação de “todos os presos políticos”, civis e militares. Os terremotos também interromperam os serviços de comunicação e de internet em algumas áreas, e muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para restabelecer contato com familiares e amigos. Há também quem recorra à internet em busca de pessoas desaparecidas. Em um dos sites criados para esse fim, quase 50 mil pessoas foram registradas como desaparecidas. Após o presidente Donald Trump prometer ajudar seus “novos e grandes amigos”, os Estados Unidos anunciaram um pacote de US$ 150 milhões em ajuda e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela. Um general do Comando Sul dos EUA, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para “supervisionar” as operações e prestar “assistência humanitária nas áreas afetadas”. A maior parte dos países da América Latina também manifestou solidariedade e ofereceu ajuda. Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia igualmente prometeram enviar equipes de resgate. O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 de quarta-feira, no horário local, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois ocorreu o segundo tremor, de magnitude 7,5, o mais forte registrado na Venezuela desde 1900. A força dos terremotos foi sentida até na Colômbia. Desde então, já foram registradas mais de 130 réplicas. (Com AFP)