Escala dos danos prejudica esforços de resgate e torna estimativas sobre o número de vítimas incertas; EUA elevam volume de ajuda a US$ 300 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Resgatistas franceses trabalham nos escombros de predio em La Guaira, Venezuela — Foto: Miguel MEDINA / POOL / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 13:28 Terremotos na Venezuela: 60 mil prédios danificados e 100 mil mortes estimadas Quase 60 mil prédios foram danificados ou destruídos por terremotos na Venezuela, dificultando os resgates e tornando incertas as estimativas de vítimas. Os EUA aumentaram a ajuda financeira para US$ 300 milhões. A infraestrutura do país, já debilitada pela crise econômica, agrava a situação. Estima-se que até 100 mil pessoas possam ter morrido, enquanto 12 mil estão desabrigadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma estimativa divulgada no fim de semana, com base em imagens de satélite, revelou que quase 60 mil prédios e estruturas na Venezuela foram danificadas ou destruídas pelos terremotos da semana passada, que deixaram 1.450 mortos, um número que as autoridades locais reconhecem ser apenas uma fração da tragédia real. Nesta segunda-feira, o governo americano anunciou uma ajuda de mais US$ 150 milhões a Caracas, dobrando o valor anunciado logo após o desastre da quarta-feira. Segundo a projeção feita por Jamon Van Den Hoek, da Universidade Estadual do Oregon, e Corey Scher, da Universidade da Cidade de Nova York, 58.870 prédios foram afetados pelos tremores da semana passada, com base em imagens obtidas no dia 25, quinta-feira, um dia após os abalos que chegaram a até 7,5 na Escala Richter. A maior parte dos estragos está em La Guaira, a cidade costeira onde se concentra a maior parte das vítimas e desaparecidos. Os pesquisadores alertam que a estimativa não leva em conta danos causados pelos mais de 430 impactos secundários ocorridos desde a noite de quarta-feira, e que podem ter contribuído para novos desabamentos. Nesta segunda-feira, o metrô de Caracas chegou a ser paralisado após um tremor de 4,2 na escala Richter. Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez —principal porta-voz do governo na crise —, essa réplica não provocou novos estragos. Homem de 21 anos é retirado de destroços na Venezuela quase cinco dias após terremoto Os números dos pesquisadores diferem de maneira exponencial das estimativas anunciadas pelo governo venezuelano, que fala em “centenas” de prédios danificados ou destruídos. Em um aspecto ainda mais trágico, eles podem deixar nas entrelinhas que o total de mortos pode ser bem mais elevado, e que pode demorar semanas ou meses até que seja confirmado. Após mais de uma década de severa crise econômica, a infraestrutura da Venezuela já estava em frangalhos antes do terremoto, e equipamentos cruciais para resgates dessa magnitude, como escavadeiras e tratores, não estão disponíveis na quantidade exigida. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão em uma lista de desaparecidos. Conforme as horas passam, as histórias de sobreviventes se tornam mais raras. — Tragicamente, até que recuperem os corpos debaixo dos escombros, a contagem será baixa — afirmou Emily So, professora de engenharia da Universidade de Cambridge, ao New York Times. — No entanto, a extensão dos danos e o colapso total de edifícios pesados de concreto armado tornam isso difícil sem maquinário. De acordo com a projeção inicial feita pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, há 41% de chances de que o número de mortos nos terremotos fique entre 10 e 100 mil. E os especialistas dizem que a escala da tragédia poderia ser menor se as construções tivessem sido pensadas para terremotos, que não são um evento raro na região. — Nenhum edifício deveria ter desabado naqueles terremotos — disse Ilan Kelman, professor de desastres e saúde na University College London, ao New York Times. — Dispomos de todo o conhecimento, da ciência e da engenharia necessários para construir em zonas sísmicas sem que um terremoto resulte em um desastre catastrófico. Entre as quase 60 mil estruturas atingidas estão unidades de saúde. Em La Guaira, apenas um hospital está em funcionamento. Em Caracas, uma clínica especializada em traumas pediu que apenas os casos mais graves se dirigissem para lá. Muitos pacientes estão ao ar livre desde quarta-feira passada devido ao temor de desabamentos. Assim como as operações de resgate, o tratamento das vítimas sofre os efeitos do sucateamento do sistema de saúde nas últimas décadas — como revelou o New York Times, médicos em La Guaira precisam lavar as mãos com soro fisiológico devido à falta de água nas torneiras. Enfermeiros pedem às pessoas que incluam produtos de limpeza, como água sanitária, em suas doações. — Todos os hospitais estão sobrecarregados — disse à CNN Andres Cortiz, voluntário da Healing Venezuela, uma organização beneficente sediada no Reino Unido que oferece assistência médica gratuita na Venezuela. — Fecharam oito hospitais na região de Caracas devido a danos estruturais e todos os pacientes que estavam neles foram transferidos para outros hospitais de Caracas, o que sobrecarregou a capacidade dessas unidades. De acordo com o governo venezuelano, há 12 mil pessoas desabrigadas, um número que também parece pequeno diante da realidade da crise. Na semana passada, a Organização Internacional para as Migrações estimou que mais de 6,7 milhões de venezuelanos, sendo que 2 milhões apenas em Caracas, poderão ser impactados. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), anunciou nesta segunda-feira que 680 mil crianças precisam de ajuda humanitária, e que mais de 400 escolas foram destruídas. — Três dias após o início da resposta, a dimensão das necessidades está ficando mais clara — disse Manuel Rodriguez Pumarol, representante do Unicef na Venezuela, citado pela CNN. — Os hospitais estão operando acima de sua capacidade, milhares de crianças não têm acesso confiável a água segura e muitas escolas foram danificadas. Equipes internacionais chegam à Venezuela para auxiliar resgates após terremoto 1 de 11 Bombeiros e militares brasileiros embarcam em uma aeronave da Força Aérea Brasileira para uma missão de ajuda humanitária à Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP 2 de 11 Bombeiros equatorianos da equipe de Busca e Resgate Urbano (USAR, na sigla original) chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira. — Foto: Federico PARRA / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Membros de uma equipe colombiana de Busca e Resgate Urbano (USAR, na sigla original) chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira — Foto: Federico PARRA / AFP 4 de 11 Membros de uma equipe de resgate do Exército mexicano chegam ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em La Guaira, Venezuela — Foto: Federico PARRA / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Militares brasileiros voam em avião da FAB para Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP 6 de 11 Equipes de busca e resgate dos Estados Unidos embarcam em uma aeronave militar C-17 Globemaster III com destino à Venezuela — Foto: US SOUTHERN COMMAND / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Bombeiros colombianos embarcam em uma aeronave da Força Aérea Colombiana com ajuda humanitária para a Venezuela — Foto: Luis ACOSTA / AFP 8 de 11 Bombeiros brasileiros aguardam para embarcar em uma aeronave da FAB para uma missão de ajuda humanitária à Venezuela — Foto: NELSON ALMEIDA / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Militares mexicanos caminhando com cães de serviço militar na Base Aérea Militar de Santa Lucía, no Estado do México — Foto: Mexican Presidency / AFP 10 de 11 Equipes de resgate e profissionais de saúde do Exército mexicano seguram as bandeiras do México e da Venezuela, na Base Aérea Militar de Santa Lucía, no Estado do México — Foto: Mexican Presidency / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Avião do México com destino à Venezuela — Foto: Gerardo Luna / AFP Um total de 17 países chegaram a Caracas Nesta segunda-feira, como parte dos esforços para ajudar a Venezuela, o governo dos EUA anunciou que vai dobrar o valor destinado ao país, de US$ 150 milhões para US$ 300 milhões. Apesar da mudança de ares nas relações entre Caracas e Washington desde janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro foi capturado por tropas americanas, o dinheiro será destinado a organizações que atuam no país, e não ao governo local. “Os Estados Unidos estão comprometidos em manter essa resposta e em garantir que o povo venezuelano receba todo o apoio americano enquanto trabalha para se recuperar desta tragédia”, diz o comunicado do Departamento de Estado, que também revelou o compromisso para apoiar os milhares de desabrigados no país.
Análise aponta que quase 60 mil prédios foram danificados ou destruídos por terremotos na Venezuela
Escala dos danos prejudica esforços de resgate e torna estimativas sobre o número de vítimas incertas; EUA elevam volume de ajuda a US$ 300 milhões














