Caracas confirmou que 774 edifícios foram danificados, 189 deles desmoronando completamente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Homem resgatado por equipes de emergência é transportado após ser retirado com vida dos escombros de um prédio que desabou em Caraballeda, no estado de La Guaira — Foto: Miguel Medina/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 16:27 Terremotos na Venezuela: 1.450 mortos e milhares desaparecidos A Venezuela enfrenta uma devastadora crise após terremotos deixarem 1.450 mortos e 3.150 feridos. Com 774 edifícios danificados, 189 totalmente destruídos, as equipes de resgate correm contra o tempo para salvar vidas. Cerca de 50 mil pessoas estão desaparecidas, intensificando os esforços de busca com apoio internacional. A tragédia desafia a nova dinâmica entre Caracas e os EUA, enquanto a ONU prevê um impacto econômico de US$ 6,7 bilhões. A solidariedade prevalece, mas também surgem denúncias de saques e furtos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, afirmou na tarde deste domingo que o número total de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram o país na noite de quarta-feira subiu para 1.450, em um momento em que equipes de resgate, forças internacionais e voluntários continuam uma corrida contra o relógio, em que cada minuto diminui a chance de encontrar com vida as vítimas soterradas sob 774 edifícios — 189 deles que desmoronaram totalmente. O líder chavista atualizou também a contagem de feridos e afetados pela crise nacional. Segundo os dados oficiais, há 3.150 feridos e 12.721 deslocados. As Nações Unidas estimam que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas, o que aumenta os temores de que à medida que avancem as buscas, a contagem de vítimas aumente. Especialistas afirmam que o período de 48 a 72 horas após tragédias com vítimas soterradas é essencial para resgates bem sucedidos — a tragédia da Venezuela já passou as 90 horas. A cidade litorânea de La Guaira, a 40 km de Caracas e uma das mais impactadas, parece uma zona de guerra com seus edifícios desabados. Equipes internacionais, incluindo 2.624 profissionais e 137 cães-farejadores, somaram-se às forças locais. Helicópteros e aeronaves americanas Osprey V-22 sobrevoam a região. — Não temos apoio para retirar nossos familiares. Nós mesmos não conseguimos — disse Héctor Aguilera, de 60 anos. Quatro de seus parentes ficaram soterrados sob um edifício que desabou. Os corpos de duas pessoas já foram encontrados sem vida. — Sabemos que eles estão mortos, mas estamos aqui esperando uma resposta das autoridades. Não temos mais esperança. O que me resta são as lembranças. Um painel eletrônico exibe enormes cartazes de pessoas desaparecidas em uma avenida da capital, onde bairros inteiros ficaram reduzidos a escombros. A presidente Delcy Rodríguez informou que 33 pessoas foram encontradas com vida no sábado e publicou nas redes sociais o resgate de um menino de 11 anos. Outras cenas estão sendo comparadas a milagres. Um vídeo também gravado durante as buscas na noite de sábado captaram o momento em que um bebê foi retirado com vida dos escombros de um edifício. O bebê chora ao ser retirado do local, de onde também foram retiradas duas mulheres. Outro bebê recém-nascido havia sido encontrado com vida na véspera. Equipes de resgate retiram duas mulheres e um bebê dos escombros na Venezuela 'Fomos nos cercando de morto' La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas intensas e deslizamentos de terra que deixaram mais de 10 mil mortos. Imagens aéreas feitas pela AFP mostram o novo nível de destruição. Edifícios desabaram aos montes, e os que ainda permanecem de pé estão sem paredes, rachados e inabitáveis. A ONU estima que os terremotos possam deixar quase sete milhões de desabrigados e causar prejuízos materiais de US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do PIB do país petrolífero. — Isso parece coisa de outro mundo. Ver prédios desabando era algo que só víamos em filmes — disse José Contreras, segurança de um ambulatório com um pequeno necrotério para quatro corpos. O cheiro de decomposição toma conta de todo o ambiente. — Fomos nos cercando de mortos. Muitas pessoas que eu conhecia já não estão mais aqui. Imagens de satélite mostram antes e depois de área mais devastada por terremotos na Venezuela 1 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 2 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 4 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP 6 de 6 Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira — Foto: Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP X de 6 Publicidade Governo interino declarou a região do estado de La Guaira como 'zona de desastre' O governo militarizou La Guaira e passou a exigir um salvo-conduto para que equipes de resgate, médicos e voluntários possam acessar a área do desastre. O governo também tenta controlar a cobertura da imprensa internacional. Os jornalistas são transportados em ônibus para áreas específicas de La Guaira, sob a justificativa oficial de evitar epidemias. O papa Leão XIV expressou solidariedade ao povo venezuelano e manifestou sua "gratidão e incentivo a todos aqueles que trabalham generosamente nas operações de busca e assistência", durante uma mensagem em espanhol após a oração do Ângelus. A solidariedade é grande, mas também aumentam as denúncias de furtos e saques. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem expulsando de sua casa um militar e outro funcionário público que encontrou revirando seus pertences. Ainda existem áreas com edifícios desabados onde a ajuda sequer chegou. (Com AFP)