Até o momento, já há 188 mortas confirmadas e mais de 24 mil ainda estão desaparecidas Equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Caracas, Venezuela, na quinta-feira, 25 de junho de 2026 — Foto: Foto AP/Ariana Cubillos A Venezuela sofreu dois terremotos na noite desta quarta-feira (24), com magnitudes de 7,5 e 7,2 graus na Escala Richter, o resultou no ferimento de milhares de pessoas e a destruição de diversos prédios. Segundo governo venezuelano, ao menos 188 mortes foram confirmadas e mais de 1,5 mil pessoas estão feridas. O país também criou um site para registrar as pessoas desaparecidas após os terremotos e, até o início da tarde desta quinta-feira, listava mais de 24 mil pessoas. Ao menos 30 réplicas dos terremotos foram sentidas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano. Cidades da região Norte do Brasil também chegaram a sentir os efeitos dos tremores, segundo relatos. Cerca de 500 equipes venezuelanas de emergência estavam trabalhando no resgate de vítimas. Países como Brasil, Estados Unidos, França, El Salvador e Espanha prometeram enviar ajuda e suprimentos para a Venezuela. Como acontece um terremoto? Para entender como um terremoto acontece, é preciso antes de tudo entender que a crosta terrestre é formada por placas rígidas, conhecidas como placas tectônicas, que flutuam sobre a área chamada manto. “Esse movimento é vagaroso, apenas alguns centímetros por ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram, começa a haver uma compressão. Em dado instante, a tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha geológica. Nesse momento, ocorre o terremoto”, explica o Serviço Geológico do Brasil (SGB) em seu canal escolar. Caso as placas estejam se afastando, a tensão formada é de distensão. Geralmente, essa atividade sísmica acontece no limite das placas, os chamados “terremotos interplacas”, mas também é possível haver terremotos de menor intensidade no centro de uma placa, conhecidos como “terremotos intraplacas”, segundo o SGB. O ponto no interior da crosta onde se inicia a ruptura e a consequente liberação da tensão acumulada chama-se hipocentro. O ponto da superfície terrestre imediatamente acima do hipocentro é o epicentro. Para medir o tamanho de um terremoto, é preciso conhecer a sua magnitude segundo a escala Richter, criada em 1935 por Charles Richter. “Essa escala é logarítmica, ou seja, de um grau para o grau seguinte a diferença na amplitude das vibrações é de dez vezes. E a diferença da quantidade de energia liberada é de 30 vezes”, explica a SGB. Isso significa que um terremoto de magnitude 6 tem vibrações dez vezes menores que um terremoto de magnitude 7 e cem vezes menores que um cuja magnitude é 8. Em 90% dos casos, a magnitude de um terremoto não passa de 7 graus, comenta o SGB. Há também uma segunda maneira de se medir um terremoto, chamada Escala Mercalli Modificada, que considera a avaliação visual do efeito causado pelo terremoto em objetos e construções e sobre as pessoas. Nesse modelo, a diferença de um grau para o outro significa que a aceleração dobrou. É comum ter terremoto na Venezuela? A Venezuela está localizada no encontro das placas tectônicas do Caribe e Sul-Americana, que tendem a deslizar lateralmente uma em relação a outra. Esse movimento tende a ficar “travado” por conta do atrito, o que auxilia no acúmulo de tensão na região. “75% da energia liberada por terremotos ocorre naquela região do globo, conhecida por Cinturão de Fogo do Pacífico”, descreve o SGB. Por que o Brasil sentiu o terremoto na Venezuela? Todo terremoto provoca o surgimento de ondas sísmicas, que se propagam em todas as direções, explica o SGB. Quanto maior for a magnitude de um terremoto, mais longe essas ondas sísmicas podem chegar. Além disso, solos compostos por sedimentos menos consolidados, como depósitos fluviais, tendem a amplificar a propagação das ondas sísmicas. Pode ter terremotos no Brasil? “Como o Brasil está na Placa Sul-Americana e esta se choca com outra placa na região da Cordilheira dos Andes, fora do nosso território, estamos livres de terremotos muito fortes, registrando apenas os intraplacas”, explica o SGB. Os sismos intraplaca são rasos, com profundidades de até 40 km, e de magnitudes baixas a moderadas. O SGB afirma que no país, todos os há em média 20 sismos de magnitude maior que 3 graus e dois com magnitude maior que 4 graus. No Brasil, terremotos com magnitude maior que 7 podem ocorrer uma vez a cada 500 anos. O maior terremoto registrado no Brasil ocorreu em 1955, com magnitude 6,2 graus na Escala Richter, e teve seu epicentro 370 km ao norte de Cuiabá (MT), segundo o SGB. Ainda assim, o país registra uma vítima causada por terremoto. Segundo o SGB, Jesiane Oliveira da Silva, de 5 anos, faleceu após um terremoto de 4,9 pontos na escala Richter atingir um vilarejo de Caraíbas, em Itacarambi (MG), em 9 de setembro de 2007. O evento causou danos em todas as 75 construções da comunidade e destruiu seis delas, incluindo a que Jesiane estava. Outras seis pessoas ficaram feridas, duas em estado grave. Uma delas era a irmã gêmea da menina, que estava com ela na mesma cama, de acordo com o SGB. Qual foi o maior terremoto do mundo? O maior terremoto já registrado no mundo aconteceu em 22 de maio de 1960, em Valdivia, no centro-sul do Chile. O evento ficou conhecido como Grande Sismo do Chile e ele atingiu uma magnitude de 9,5 na Escala de Magnitude de Momento (Mw). A Mw foi introduzida em 1979 e mede a energia total liberada pelo terremoto, considerando a rigidez das rochas, a área da falha que se rompeu e o quanto as rochas deslizaram uma sobre a outra. Essa escala costuma ser utilizada para terremotos de grande magnitude, pois a escala Richter não consegue refletir o real aumento de energia acima dos 8 graus. Esse tremor durou cerca de 10 minutos e gerou um tsunami devastador, com ondas de até 25 metros de altura na costa chilena. O Japão e Filipinas também foram afetados pelo tsunami, enquanto a região andina sofreu com erupções vulcânicas por dias após o terremoto.