Diversos países mobilizaram ajuda à Venezuela após fortes terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 terem atingido áreas a oeste da capital do país, Caracas, na tarde de quarta-feira, derrubando edifícios, deixando pessoas presas sob os escombros e levando cientistas a alertar para a possibilidade de um elevado número de vítimas e de destruição generalizada em todo o país. Até o momento, foram contabilizadas 164 mortes e quase 1.000 feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), utilizando modelos preditivos para estimar o número de mortos, afirmou que o número de vítimas provavelmente chegaria a milhares, com uma probabilidade substancial de ultrapassar 10.000. Os EUA informaram no fim da quarta-feira que estavam em contato com as autoridades venezuelanas após os fortes tremores e que mobilizam assistência para a nação sul-americana. “Estamos em contato com as autoridades e mobilizando ajuda”, escreveu o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, na rede social X. Ele classificou os terremotos como “devastadores”. Landau encerrou sua mensagem em espanhol: “¡Fuerza, Venezuela! ¡Estamos con vosotros!” (“Força, Venezuela! Estamos com vocês!”). O funcionário do Departamento de Estado Jeremy Lewin informou, também no X, que o órgão mobilizou uma equipe de assistência a desastres e uma força-tarefa para fornecer e coordenar ajuda essencial aos venezuelanos. “Trabalhando com nossos parceiros no governo interino da Venezuela, os Estados Unidos enviarão equipes de busca e resgate, suprimentos médicos e humanitários e outros recursos durante os primeiros dias, que são cruciais após essa trágica catástrofe natural”, acrescentou. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA estão “mobilizando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela”. “Teremos uma resposta coordenada de todo o governo”, disse Rubio nesta quinta-feira, no Bahrein. “Será grande. Será rápida. Será eficaz.” Ele acrescentou que uma das pistas do aeroporto internacional de Caracas sofreu rachaduras provocadas pelo terremoto, dificultando o pouso de aeronaves no local. Uma mulher passou junto a um edifício danificado durante um terremoto em La Guaira, Venezuela, em 25 de junho de 2026 — Foto: AP Foto/Pedro Mattey Delcy Rodríguez, que assumiu a Presidência venezuelana interinamente após uma operação militar americana capturar seu antecessor, Nicolás Maduro, e levá-lo aos EUA para ser julgado, agradeceu ao presidente Donald Trump. Posteriormente, em uma publicação no X, ela informou que conversou por telefone com Rubio, sem divulgar detalhes. Também agradeceu aos líderes de diversos países pelas mensagens de solidariedade e pelas ofertas de ajuda. A embaixada americana em Caracas informou que todo o pessoal americano foi localizado e está em segurança. As relações entre Estados Unidos e Venezuela melhoraram nos últimos meses depois que forças americanas capturaram, em janeiro, o então presidente do país, Nicolás Maduro, em uma operação letal realizada na capital. O governo do presidente Trump passou a se relacionar com o governo interino liderado por Rodríguez, ex-aliada de Maduro, incluindo a celebração de um acordo para que os EUA comercializem petróleo venezuelano. Washington também concedeu isenções a sanções para estimular investimentos de empresas americanas no país. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, divulgou nota na noite de quarta-feira na qual diz que colocou a diplomacia brasileira à disposição da Venezuela para que sejam adotadas medidas de assistência “Tomei conhecimento com grande preocupação e consternação dos impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela nesta quarta (24). Instruí o Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, disse o petista no documento postado. “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidente encarregada Delcy Rodriguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, concluiu. O Equador, por sua vez, determinou o envio de ajuda humanitária, e Rodríguez afirmou que Catar, México e El Salvador já enviaram equipes de resgate. “Enviamos toda a nossa solidariedade e nossas orações. Mantenha-se forte, Venezuela”, escreveu o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que no passado foi um ferrenho opositor do governo venezuelano, em uma publicação na rede social X. Segundo o líder salvadorenho, 300 integrantes de equipes de resgate e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos de emergência, estavam prontos para seguir para Caracas. O presidente da Argentina, Javier Milei, também afirmou estar disposto a fornecer ajuda humanitária, em coordenação com organizações internacionais, caso seja necessário. Da mesma forma, o presidente do Chile, José Antonio Kast, declarou que seu governo está preparado para coordenar o envio de ajuda humanitária e mobilizar equipes de resgate para a Venezuela. O mesmo foi afirmado pelo presidente da República Dominicana, Luis Abinader. Equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Caracas, Venezuela, na quinta-feira, 25 de junho de 2026 — Foto: Foto AP/Ariana Cubillos Os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz; do Panamá, José Raúl Mulino; e do Equador, Daniel Noboa, também ofereceram ajuda. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ofereceu apoio a Caracas nesta quinta-feira, enquanto o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, afirmou que o país está pronto para fornecer toda a ajuda de emergência necessária. “A Espanha e eu oferecemos nosso total apoio ao povo venezuelano após os devastadores terremotos desta noite”, escreveu Sánchez no X. “Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.”