Preocupação com crise humanitária no país sul-americano se agrava quando tragédia está prestes a completar uma semana; equipes de resgate continuam a tentar encontrar sobreviventes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Morador carrega um grande recipiente de água perto de prédios de apartamentos danificados no setor Playa Verde, em Catia La Mar, La Guaira — Foto: Federico Parra/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 11:57 ONU alerta para crise humanitária e riscos de doenças na Venezuela após terremotos devastadores A ONU alerta sobre a escassez de alimentos e risco de doenças na Venezuela após terremotos devastadores, com danos estimados em US$ 6,7 bilhões. As equipes de resgate continuam buscando sobreviventes, enquanto a crise humanitária se agrava, afetando cerca de 1,8 milhão de pessoas, incluindo 680 mil crianças. A destruição de infraestrutura básica e hospitais eleva o risco de surtos de doenças, com esforços internacionais de ajuda em andamento. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto equipes de resgate continuam com uma operação de busca que a cada instante vê decair a probabilidade de encontrar sobreviventes sob escombros na Venezuela, agências da ONU alertam para o agravamento de crises humanitárias no país, apontando riscos crescentes de escassez de alimentos e de transmissão de doenças, em face do caos provocado pelos terremotos mais letais da História venezuelana. Com a catástrofe completando uma semana nesta quarta-feira, uma estimativa de danos materiais indica US$ 6,7 bilhões (R$ 34,75 bilhões no câmbio atual) em prejuízos, enquanto há receio de que o número exato de vítimas possa nunca ser apontado com precisão. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) advertiu nesta terça-feira que há "escassez de comida generalizada" e que serviços básicos "entraram em colapso" em La Guaira, região mais atingida pelos terremotos, a norte de Caracas. O órgão da ONU também apontou um preocupante aumento nas "tensões comunitárias" em virtude do acesso limitado à ajuda humanitária, enquanto milhares estão desabrigados após terem suas casas destruídas. Militares americanos reativaram a operação de um porto na região, em uma tentativa de acelerar a chegada de suprimentos. — Estamos dormindo no chão, eu estou dormindo no chão porque não tenho colchões — disse Jenny Tortoza, uma mulher que tem passado as noites nas ruas de Catia La Mar, localidade litorânea em La Guaira, entrevistada pela AFP. A destruição provocada pelo terremoto ainda está sendo determinada em solo, mas as projeções com base em imagens de satélite e da zona afetada apontam uma extensão ampla. Uma estimativa feita por pesquisadores de universidades americanas em Oregon e Nova York indica que 58.870 edifícios foram afetados pelos tremores de quarta-feira, enquanto a Análise Digital Rápida do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) calculou os danos materiais perto dos US$ 7 bilhões, incluindo na conta residências e bens econômicos afetados, como veículos, edifícios e empresas. Veja imagens da destruição causada pelos terremotos em La Guaira O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 1,8 milhão de pessoas, entre elas 680 mil crianças, precisam de assistência humanitária imediata. Em um comunicado transmitido à imprensa, o representante da organização no país, Manuel Rodríguez Pumarol, afirmou que milhares de crianças estão sem acesso confiável à água potável, e expressou preocupação com a destruição de escolas — na contagem do Unicef, com informações preliminares, 432 escolas danificadas somente no Distrito Capital, o que deve dificultar a continuidade da educação das crianças. A organização já mobilizou aproximadamente US$ 3,5 milhões (R$ 18,15 milhões) de fundos emergenciais próprios para viabilizar o envio inicial de equipes e suprimentos e fez um apelo a doadores, calculando que serão necessários US$ 52 milhões (aproximadamente R$ 270 milhões) para responder à emergência causada pelos terremotos. Imagem aérea mostra edifício de vários andares que desabou perto de uma estrada costeira em La Guaira — Foto: Yorman Maldonado/AFP Riscos à saúde A área de depósito do porto de La Guaira se converteu em um necrotério improvisado — relatos do fim de semana davam conta do "cheiro de morte" se espalhando pela região, com a constatação de corpos espalhados nas calçadas, a espera de serem recolhidos. Os corpos em decomposição expostos ao ar livre provocaram temores de contaminação, mas autoridades internacionais afirmaram que os riscos são ainda mais extensos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou nesta terça-feira que há "um risco elevado de surtos de doenças" no país, provocado pela perda de infraestrutura básica e pelo deslocamento massivo de pessoas. Entre os cenários indicados, preocupam possíveis propagações de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria e coqueluche, e doenças transmitidas por vetores e pela água, como febre amarela, dengue, chikungunya, zika e malária. Corpos retirados dos escombros de edifícios afetados pelos terremotos da semana passada aguardam nas ruas para serem recolhidos — Foto: Yan Boechat Em uma coletiva de imprensa em Genebra, o porta-voz da OMS Christian Lindmeier afirmou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, teria informado à organização que 38 hospitais foram afetados pelos terremotos, e que a situação exige mobilização. — Os serviços de saúde estão sob extrema pressão, com centros operando acima de sua capacidade — declarou Lindmeier, mencionado um grande fluxo de casos de pacientes com traumas. Parceiros internacionais se mobilizam para oferecer alívio sanitário. A Força Aérea Brasileira informou nesta terça que mais uma aeronave KC-30 estava partindo com destino à Venezuela, transportando equipamentos para expandir um hospital de campanha instalado pela equipe brasileira em La Guaira no fim de semana. Militares da Marinha do Brasil também estão embarcando para atuar no hospital. A Cruz Vermelha espanhola também anunciou o envio de uma "clínica de emergência", com equipes de saúde, apoio psicossocial e equipamento médico, em um esforço para aliviar as demais unidades. Oficialmente, o governo venezuelano reconhece, até o momento, 1.719 mortos, 5 mil feridos e 855 edifícios afetados pelos terremotos. (Com AFP)