A Copa do Mundo com 48 seleções está se saindo melhor que o esperado.

Entre novidades, como o aumento do número de times e a guerra contra a perda de tempo, o ponto negativo são as pausas para hidratação. O menos importante neste período é a água que os jogadores bebem. A Fifa decidiu fazer do futebol um jogo de basquete, dividindo as partidas em quatro tempos de 22 minutos. As críticas são gerais, de jogadores e técnicos a torcedores, mas "time is money", e os três minutos de pausa são uma mina de ouro para as TVs.

Estou acompanhando a primeira fase em Dallas, onde o estádio é coberto e climatizado. Não faz sentido fracionar o jogo, mas, pela isometria da competição, as paralisações são mantidas.

Nos três jogos que acompanhei, os torcedores vaiaram. Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, disse que é uma vantagem para o time que está pior, pois pode fazer correções. Lionel Scaloni, da Argentina, afirmou que o tempo que um técnico tem no intervalo é parecido aos três minutos da pausa, porque os jogadores demoram para chegar e para sair dos vestiários. Mbappé disse que não seria hipócrita: "Se estivermos perdendo, vou gostar. Se estivermos ganhando não".Não há quem aprove. E vou mais longe: é uma clara deformação do jogo. O futebol é um esporte que se diferencia dos outros por não ter essas pausas. O "momentum" é fundamental no jogo e quebrá-lo por interesses comerciais fere o espírito do esporte. No basquete e no vôlei os técnicos podem parar o jogo para quebrar o ritmo do adversário. Aproveitam o tempo para instruir seus comandados e esfriar o jogo rival. É estratégia válida e inteligente.