Excesso de seleções. Quarenta e oito países, jogos de baixo nível técnico. Desenvolvimento do futebol mundial? Não: estratégia de poder de Infantino, capo da Fifa, que se eterniza à frente da entidade por meio da compra das federações nacionais periféricas.
Excesso de publicidade. A "pausa de hidratação", nome ilusório para extensos intervalos comerciais, converteu um jogo de duas metades em jogo de quatro quartos. Nos EUA, a Copa concluiu sua mutação de evento esportivo em puro negócio e palco de celebridades.
Excesso de exclusão. Ao longo das três últimas décadas, o evento impulsionou a globalização do futebol, isto é, a concentração de riqueza nas ligas europeias e a edificação de arenas suntuosas. A inflação mundial dos preços dos ingressos expulsou o povo dos estádios, confinando-o à gaiola do pay-per-view. Os valores astronômicos dos ingressos da Copa atual são ilustrações extremas da gentrificação do futebol.
Excesso de arbítrio. Infantino ofertou a Trump um "Prêmio da Paz", o Nobel farsesco de um chefe mafioso secundário a seu superior. Da vassalagem inaugural derivou uma coleção de outras. Sob a conivência da Fifa, a seleção do Irã viu-se proibida de estabelecer uma base nos EUA. Um árbitro somali, além de integrantes de delegações e torcedores estrangeiros, foram barrados pela imigração. O anfitrião xenófobo escreveu a regra do jogo.








