Não que a qualidade do futebol exibido em 104 jogos tenha sido baixa, muito pelo contrário, mas a Copa de 2026 gerou tantas ou mais conversas sobre as transmissões esportivas do que sobre as partidas em si.
Mesmo antes de a seleção brasileira ser eliminada, a discussão sobre televisão já estava dominando a pauta nas redes sociais. "Vivemos no Brasil a primeira Copa na qual rolaram mais opiniões apaixonadas sobre transmissões, narradores e 'jornalismo' do que sobre os jogos de futebol", observou Gian Oddi, excelente comentarista da ESPN.
Com a Globo como coadjuvante, sem explicar de forma transparente o que aconteceu, e com o SBT dando palco para a despedida de Galvão Bueno, o foco se voltou para um canal com aparência de novo.
Promovendo uma virada de chave, a CazeTV deitou e rolou. Uma nova geração de narradores e comentaristas teve a oportunidade de aparecer para um público maior. A gritaria desenfreada, o tom de conversa de botequim e a reverência acrítica aos tais "protagonistas" da Copa deixaram de ser um modelo alternativo e ocuparam o palco principal do espetáculo.
Quase todo mundo tirou uma casquinha da Copa das Bets, mas a desfaçatez com que o jovem canal promoveu a jogatina online, inclusive com seus narradores e comentaristas, ajudou a dar uma outra dimensão ao negócio bilionário. Ainda durante a Copa o governo federal anunciou restrições à publicidade de bets.






