Tradição na grade da Globo, o programa Central da Copa se propõe a resumir, de forma descontraída, os principais acontecimentos do dia no Mundial. Na versão de 2026, a atração é comandada por um trio formado pelo jornalista Tadeu Schmidt, o comediante Fabio Porchat e a jogadora Tamires.

O programa está especialmente estranho neste ano. Num estúdio gigantesco, quase inteiramente vazio, os três se mostram perdidos, abandonados, comentando e fazendo piadas protocolares sobre jogos, lances e gols. O espaço ocioso parece gritar que está faltando alguma coisa ali.

Essa desproporção entre o gigantismo aparente do estúdio e o conteúdo insosso do Central da Copa é exemplar dos problemas que a Globo está vivenciando neste Mundial. Pela primeira vez, a emissora enfrenta uma concorrência dura e não dispõe de armas adequadas para enfrentá-la.

Por economia, a Globo reviu em 2022 o acordo que tinha com a Fifa por todos os direitos da Copa até 2030. A emissora abriu mão da exclusividade em plataformas digitais e comprou os direitos de exibição de apenas a metade dos jogos do Mundial de 2026.

O corte de custos se revelou erro estratégico no médio prazo. Entre as consequências, abriu espaço para a agência LiveMode, que comprou as 104 partidas desta Copa para exibição na CazéTV, no YouTube.