"Eu sou você amanhã", anunciava a publicidade de uma marca de vodca, nos anos 1980, prometendo um dia seguinte sem ressaca. Na Copa de 2026, viu-se uma proposta com o sentido inverso: o SBT é a Globo ontem. Na estreia do Brasil no Mundial, a emissora da família Abravanel convidou o espectador a uma imersão nostálgica, evocando as muitas décadas em que Galvão Bueno foi a voz do futebol brasileiro.
No gramado, trazendo informações, estavam os repórteres Mauro Naves e André Hernan. No estúdio, em São Paulo, pontificava Tiago Leifert. Todos ex-Globo. Na cabine, em torno de Galvão, Mauro Beting e Nadine Basttos foram os coadjuvantes cordatos, papéis que por muito tempo foram de Casagrande e Arnaldo Cesar Coelho. Meio deslocado, o ex-jogador Pato, genro de Silvio Santos, completou o time.
Em 2018, Galvão afirmou que "provavelmente" a Copa da Rússia seria a última que narraria. Em 2022, no Qatar, a Globo informou que ele estava se despedindo das transmissões em TV aberta. Desde então, narrou amistoso da seleção no YouTube, apresentou um programa de debates na Band e outro no SBT e tornou-se sócio do canal N Sports, que se associou ao SBT para exibir 32 partidas da Copa 2026.
A presença de Galvão no vídeo deixa evidente que o narrador nunca teve, realmente, a intenção de parar de narrar, mas a Globo claramente não queria mais tê-lo no comando de uma cabine de narração numa Copa do Mundo.














