Na televisão, em eventos grandiosos, quando o jornalismo se encontra com o esporte, a primeira vítima é quase sempre a informação. Com 25 marcas patrocinadoras disputando espaço na programação da Globo durante a Copa do Mundo, segundo o Meio e Mensagem, parece até natural que o tom da cobertura seja tão festivo. Mas, como estamos vendo, há muitos motivos para não ser.
Enquanto o princípio de esportividade que deveria reger o Mundial está sendo ignorado pelos Estados Unidos nestes dias que antecedem o início do evento, o Jornal Nacional dá a entender que é mais importante falar da balbúrdia na Times Square.
Em Nova York, segurando uma bola, a apresentadora Renata Vasconcellos abriu um grande sorriso e leu um texto infantil na segunda-feira: "Quando a gente passeia pela história, percebe quantas emoções fazem uma Copa do Mundo. Copa é esporte, é cultura, é família, memória afetiva. Imagine então na maior Copa do Mundo de todos os tempos. A partir de hoje, o Tio Sam vai ouvir a nossa batucada".
Numa edição de 45 minutos, sendo dois terços dedicados à Copa, o telejornal reservou apenas quatro minutos para falar das restrições à seleção do Irã, do veto à entrada no país de um árbitro somali e da ameaça do governo americano de aumentar o número de agentes de imigração em Nova York.











