"Copa dos protagonistas" é um epíteto que se disseminou por quase todos os meios de comunicação na tentativa de resumir o que está sendo este Mundial. Não consegui identificar a origem, nem se o termo nasceu de forma orgânica ou se foi plantado por alguém. Em todo caso, sinto o odor de publicidade sempre que algum narrador, empolgado, grita na televisão que essa é a "Copa dos protagonistas".

Ora, no final das contas, toda Copa é dos protagonistas, dos melhores jogadores de cada seleção, dos destaques individuais que afloram naturalmente num jogo coletivo. Convencionou-se dizer que a Copa de 1962 foi de Garrincha; a 1986, de Maradona; a de 1994, de Romário, e por aí vai. Mesmo a Holanda de 1974, que celebrizou o "futebol total", tinha Cruyff como protagonista.

A necessidade de sintetizar e simplificar é natural no jornalismo. Mas transmissões esportivas, hoje em dia, vão muito além do jornalismo. São eventos em que a informação é engolida pelo entretenimento na busca desenfreada por audiência e engajamento. É muita diversão, emoção e empolgação, naturais ou empostadas. Envolve patriotismo. E muitos negócios.

Os grandes jogadores, hoje, são protagonistas não apenas dentro das quatro linhas, mas em um universo paralelo ao do mídia tradicional. No Instagram, no TikTok e que tais, eles escrevem a própria história, da forma que desejam. É o que um articulista do Instituto Poynter, uma referência em estudos de mídia, chamou de "pós-jornalismo esportivo".