Que no país governado por Trump chamem futebol de "soccer", entende-se. Ficaram para trás em acordar para o esporte que o mundo escolheu, coitados. Terão acordado finalmente, como sugere aquela bola que atropelou o Paraguai?

Americanices à parte, futebol vai ser sempre futebol. Ou assim eu acreditava até o momento em que, entre um jogo e outro da Copa, de repente olhei para a onipresente palavra futebol e li "fubetol".

Foi um lapso que meu cérebro logo corrigiu, mas depois fiquei pensando: e se a dislexia se justificar? Vivendo no Brasil, é impossível interagir minimamente com a Copa do Mundo da América do Norte sem ser bombardeado por anúncios de casas de aposta online.

A Cazé TV no YouTube, a única a transmitir todas as 104 partidas, tem o patrocínio de quatro "bets", como essas empresas carinhosamente se vendem. A Globo, de três. Tudo normal: 12 clubes da série A do Campeonato Brasileiro estampam bets no peito.

Poucos se escandalizam. Nossa sociedade decidiu agir como se fosse tranquilo oferecer insistentemente às pessoas um produto que será danoso para um grande número delas, podendo em casos extremos levar ao desespero e à morte. A restrição única de idade, além de insuficiente, é driblável. "Jogue com responsabilidade", um conselho cínico.