Especialistas comentam tendências de um torneio que tem promovido um saudável choque de escolas e a necessidade de adaptabilidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Scaloni, Deschamps e De la Fuente: técnicos de Argentina, França e Espanha, destaques na Copa do Mundo — Foto: Odd ANDERSEN / AFP; Pedro UGARTE / AFP; Paul ELLIS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 23:18 Copa 2026: Flexibilidade Tática e Aumento de Gols em Transição A Copa do Mundo de 2026 destaca-se pela adaptabilidade tática das seleções, com menos rigidez posicional e maior ênfase em bolas paradas e transições rápidas. O torneio, que conta com 48 equipes, apresenta um choque de estilos, onde seleções como Marrocos e Brasil demonstram flexibilidade estratégica. O número de gols em contra-ataque aumentou para 9,9%, e as bolas paradas representam 25,1% dos gols marcados. Especialistas destacam a influência das principais ligas de clubes na evolução tática do Mundial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quem assistiu ao Marrocos engolir o meio-campo da seleção brasileira no primeiro tempo do empate em 1 a 1 na estreia na Copa do Mundo de 2026 e parou, ontem, para acompanhar a mesma equipe enfrentando a França nas quartas de final (vitória dos Bleus por 2 a 0), sob uma proposta de cautela máxima e marcação em bloco baixo, viu uma das tendências desse Mundial. Uma das equipes mais adaptáveis do mundo, os africanos adotaram uma dose de flexibilidade que praticamente virou exigência num torneio com 48 seleções em que, em muitos dos casos, identidades e escolas outrora conhecidas e consolidadas optaram por seguir por outros caminhos. Há alguns anos, era pouco factível imaginar que o Brasil disputaria uma Copa do Mundo sob o comando de um treinador italiano, ainda que Carlo Ancelotti esteja longe da escola defensiva do catenaccio que fundou o imaginário tático de seu país. Para apagar o incêndio de um ciclo desastroso, o experiente e multivitorioso treinador apostou numa equipe cautelosa, mais confortável em atacar na transição do que ter a bola. Acabou, porém, caindo na oitavas. O técnico do Brasil, Carlo Ancelotti, na derrota do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo — Foto: Pedro UGARTE / AFP Exemplos desses choques não faltam: a Inglaterra apostou no pragmatismo ofensivo do alemão Thomas Tuchel, mas viu o treinador acionar uma linha de cinco defensores para segurar o resultado e eliminar o México; a Argentina, que vive o segundo ciclo sob o comando de Lionel Scaloni, tem defendido menos com as linhas de três e cinco jogadores que a ajudaram a ser campeã mundial em 2022 e se agarrado a um 4-4-2 calcado na movimentação; ou até a Espanha de Luis de la Fuente, mais econômica que a que encantou na última Eurocopa, mas também mais vertical e eficiente. — Isso (a adaptabilidade) é um reflexo daquilo que tem acontecido prioritariamente nas principais competições de clubes. Sobretudo a Champions League e a Premier League. É raro você ver num jogo de Champions, em fase eliminatória, uma equipe se fechando o tempo todo e a outra o tempo todo com a bola. Elas se atacam, se agridem a todo o momento, marcam pressão individualmente. Essa Copa está mostrando isso. Há 12, 16 anos atrás, a Copa gerava muita tendência do que ia acontecer depois. Hoje, é o contrário — diz Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo. As formações mais utilizadas na Copa — Foto: Editoria de Arte Mais transições O Mundial de 2026 registrou um aumento significativo dos gols em contra-ataque: de 7,7% na edição de 2018 e 6,4% na de 2022, subiram para 9,9% em 2026. São 28 dos 282 marcados até aqui. Não à toa, seleções que atacam bem o campo aberto estão entre as protagonistas do torneio. — Não diria que (a Copa é especial para) seleções menos fechadas (em suas propostas), mas sim para as que são especialistas em verticalidade. Argentina, França e Inglaterra têm estilos diferentes, mas se unem no que diz respeito à preferência de atacar em campo aberto. Quando precisam ser mais pacientes e posicionais, encontram problemas. O Brasil também era assim. Por isso, entregou tanto a bola para a Noruega no intuito de roubar e atacar rápido — explica Caio Alves, comentarista dos canais ESPN e do Disney+. Michael Olise, da França, e Ayyoub Bouaddi, do Marrocos — Foto: Getty Images via AFP Caio vê três linhas de mudança nesse Mundial: a redução no jogo posicional (ideia de movimentação com base em ganhar espaço via posse de bola), a pressão individual e as bolas paradas. — Vimos mais seleções buscando menos rigidez e mais associações. Por parte da abordagem individual, vimos, por muito tempo no futebol europeu, marcações mais zonais e quase nenhum time se protegendo por encaixes. Com as equipes marcando alto na saída de bola, isso mudou e foi levado para o campo todo. Pode-se dizer que os encaixes individuais voltaram ao auge. Sobre a bola parada, o boom aconteceu com o Arsenal de Mikel Arteta e Nico Jover. Isso foi levado para o futebol de seleções, tanto que Portugal contratou o treinador de bolas paradas do Aston Villa. Números da Copa do Mundo — Foto: Editoria de Arte Os gols de bola parada, aliás, são 71 dos 282 marcados até aqui, 25,1% das vezes que a rede foi balançada (em conta que inclui os pênaltis). Conta que ainda não inclui, por exemplo, as jogadas que vêm de arremessos laterais. — A variação de jogadas de bola parada chama atenção. Aí, temos que colocar também os laterais ao lado da área. Há seleções, inclusive, que têm um bom repertório com bola no chão que usaram esse artifício. Eu vi o México fazendo isso. É um time muito agradável de ver jogar com a bola no chão, mas batia a lateral na área também, muitas vezes. A própria Inglaterra, em algum momento do jogo, fez isso — ressalta Coutinho. Romero marca o primeiro gol da Argentina sobre o Egito, em escanteio — Foto: Elsa/Getty Images/AFP O comentarista também reforça a impressão de afastamento do jogo posicional, mas indica que as seleções têm adotados conceitos fluidos: — A Argentina não é nada posicional. Só que quando ela pega um time que marca muito atrás, sempre vai ter um jogador bem aberto de um lado. Isso é um aspecto do jogo posicional. Estão guardando uma posição até receber a bola para abrir a defesa adversária, tentar gerar espaço entre zagueiro e lateral. Ao mesmo tempo, na Espanha, que tem o jogo de posição mais enraizado, você vê um jogador como o Pedri flutuando pelos lados do campo. Vem buscar o jogo atrás, às vezes antes do Rodri. Tudo é muito mais fluido no futebol e não dá pra ficar preso em conceitos. Os bons times têm mostrado que dá pra variar muito mais. Sai na frente quem consegue fazer isso. Pedri, da Espanha, se desvencilhando da marcação de Bruno Fernandes, de Portugal — Foto: Lars Baron/Getty Images/AFP
Menos posicional, mais bolas paradas e fluidez: como a Copa de 2026 é disputada taticamente
Especialistas comentam tendências de um torneio que tem promovido um saudável choque de escolas e a necessidade de adaptabilidade






