Membro do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa, Gilberto Silva diz não ver impacto significativo dos intervalos para que os atletas se hidratarem 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O sueco Isak Hien e o holandês Guus Til brigam pela bola: nível de intensidade dos jogos tem chamado atenção da Fifa — Foto: Ronaldo Schemidt/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 03:25 Copa 2026: Expansão para 48 Seleções e Pausas Polêmicas A Copa do Mundo de 2026 trouxe novidades, como a inclusão de 48 seleções e as pausas para hidratação, que geraram controvérsia, mas a Fifa minimiza seu impacto. Gilberto Silva, do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa, destaca o equilíbrio físico das equipes, antes restrito aos europeus. As estratégias agora incluem marcação alta e saídas rápidas. Goleiros, como Vozinha e Eloy Room, também se destacam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Copa do Mundo começou marcada por novidades. A começar pelo tamanho da competição, que passou a ter 48 seleções. Mas nenhuma tem repercutido tanto quanto a parada para hidratação, que, de certa forma, dividiu as partidas em quatro tempos. Alguns (inclusive jogadores e técnicos) já reclamaram da interferência promovida por estes novos intervalos. Em muitas partidas, o público tem vaiado este momento como forma de protesto. A Fifa, porém, não concorda que eles estejam influenciando tanto assim. - Nós conversamos sobre isso, se algum destes jogos apresentaram uma queda de rendimento em seus jogos em comparação com quando não havia essa situação. Alguns, obviamente, eu acho que tiveram uma queda de desempenho. Outros, acho que mantiveram o mesmo nível. Essa foi a observação que tive - afirmou o ex-jogador Gilberto Silva, membro do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (TSG, na sigla em inglês), que análisa todas as partidas da competição: - Essa é sempre uma discussão. Falamos sobre isso aqui no TSG, e os colegas com quem conversei tiveram a mesma impressão. Em alguns jogos funcionou bem. Especialmente aqueles em locais onde fazia muito, muito calor. Mas, de modo geral, pelo que vi nos jogos, não acho que tenha sido algo tão significativo. Parada para hidratação gera debates; para a Fifa, interferência não é expressiva — Foto: Jamie Squire/Getty Images/AFP A principal tendência da Copa de 2026 até aqui, segundo Gilberto Silva, é o maior equilíbrio físico das seleções, com quase todas num nível muito alto. O condicionamento que antes era mais exclusivo dos europeus, agora se democratizou. Um dos maiores impactos disso é a quantidade de partidas disputadas num nível de intensidade alto, mesmo numa Copa de temperaturas com calor. Além disso, dois recursos se tornaram mais comuns nas estratégias de jogo: marcação por pressão alta e saídas em velocidade. - Como temos observado nos últimos anos, a força física das equipes e dos jogadores transformou a estratégia de cada partida. Antes, pensávamos nisso apenas em relação a algumas seleções europeias, mas, de forma geral, o aspecto físico se tornou uma parte muito importante do futebol atual - disse o pentacampeão do mundo em 2002, que cita o próprio Brasil como exemplo. - No jogo contra o Haiti, pudemos ver isso em alguns momentos. Um dos gols do Cunha nasceu justamente assim: o Paquetá recuperou a bola e imediatamente a passou para o Bruno (Guimarães) na transição. Ele rapidamente acionou o Vinícius Júnior, e a jogada prosseguiu até resultar no gol. Houve também outro lance com o (Matheus) Cunha. Ele foi um dos jogadores que pressionou, recuperou a bola, fez o passe rapidamente e arrancou em velocidade para marcar. Vimos esse tipo de situação algumas vezes. Esse é o futebol de hoje. Os holandeses também foram citados por Gilberto Silva como exemplo. E eles podem aparecer no caminho do Brasil já na próxima fase, caso um dos dois termine em primeiro e o outro, em segundo de seus grupos. - Atualmente, todo mundo é rápido. Você precisa estar preparado e não pode conceder muito espaço, porque, nas transições, a equipe pode acabar em uma situação muito complicada quando perde a bola, justamente pela velocidade do jogo. Em alguns casos isso é bastante difícil, porque alguns jogadores ainda estão sofrendo com as condições climáticas, com o calor. Curiosamente, apesar deste cenário descrito outro elemento que tem surpreendido o membro do TSG é o destaque que os goleiros estão tendo neste Mundial. Exemplos não faltam, como as atuações de Vozinha, de Cabo Verde, contra a Espanha; Eloy Room, de Curaçao, no jogo com Equador; e Tala Rangel, do México, diante da Coreia do Sul. - Foi uma pequena surpresa para mim. Em algumas ocasiões, as equipes precisaram bastante de seus goleiros, que tiveram de estar preparados para todos os desafios. Vimos isso no jogo de Curaçao e também no de Cabo Verde, na estreia.