Se a parada para a hidratação for mantida após o Mundial, ela pode se tornar mais uma grande revolução 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Parada para hidratação no jogo entre Catar e Suíça — Foto: Fran Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/06/2026 - 23:23 Paradas para Hidratação na Copa: Mudança e Controvérsia no Futebol A introdução das paradas para hidratação durante a Copa do Mundo transformou o futebol, criando um jogo dividido em "quatro quartos". Essa mudança, que pode se tornar permanente, foi usada por técnicos para ajustes táticos durante as partidas. Embora traga potencial para enriquecer o jogo, a implementação sem amplo debate, especialmente em condições climáticas controladas, gerou críticas e preocupações sobre a essência do esporte. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Corria o primeiro tempo do jogo contra o Marrocos, e a seleção brasileira controlou melhor as ações a partir da mudança de sistema: um 4-3-3, com Raphinha passando para a ponta direita. No dia seguinte, Curaçao viveu um momento mágico contra a Alemanha ao marcar um gol e criar dois contragolpes. Mas logo os favoritos retomaram a rédea e construíram uma goleada. Já a Noruega, em dificuldades contra o Iraque, moveu Sorloth para a ponta direita com o primeiro tempo em andamento, e encontrou o primeiro gol. Seria possível citar a Croácia, que mudou sua forma de pressionar a Inglaterra no primeiro tempo, exigindo novos ajustes ingleses no intervalo. Ou da Suécia passando de uma linha de cinco defensores para uma com quatro contra a Holanda, equilibrando ações antes de ser goleada. É normal jogos de futebol terem pontos de virada, e não necessariamente por mudanças táticas. Mas o que une todos os exemplos acima é o fato de que as mudanças foram traçadas pelos técnicos durante a parada para a hidratação, que, se mantida após o Mundial, pode se tornar mais uma grande revolução. Como ocorre com quase toda novidade, logo pareceu obrigatório que todo mundo se posicionasse, contra ou a favor. E, antes de tudo, é importante excluir do debate as partidas disputadas sob calor extremo, em condições que, segundo a ciência, parar não é escolha, mas preservação da saúde dos atletas. A Copa do Mundo, no entanto, tornou as duas paradas uma norma e fez do futebol um jogo disputado não mais em dois tempos, mas em “quatro quartos”. E debater o assunto impõe reconhecer o tamanho da transformação. O impacto é maior do que se imagina. A essência do futebol é seu ritmo. Um time submetido a seguidos ataques, dominado, acuado, lida com imenso desgaste físico e emocional. Interromper esse fluxo é interferir demais numa partida. Além disso, amplia-se o poder do treinador de intervir numa partida, ou mesmo o planejamento dela. Antes da Copa, sabendo da inovação, a comissão técnica brasileira ensaiou formas de otimizar o tempo de hidratação dos jogadores de forma a ampliar e período de conversa entre Ancelotti e o elenco. Mudanças, por definição, não são ruins. Pode-se concluir que o futebol será melhor com quatro quartos de 22 a 23 minutos, com mais nuances e guinadas táticas. Mas o modelo parece ter sido introduzido na Copa de forma dissimulada: o verão americano imporia a reidratação em alguns jogos, então, para igualar as condições, a decisão foi estender as interrupções até para estádios cobertos e climatizados, talvez pela oportunidade comercial que se criava. E o que se tem é uma parada técnica, não uma parada de hidratação. Por ser algo tão transformador, o tema deveria ter sido alvo de um debate maior na comunidade do futebol, incluindo atletas e técnicos. O público, em muitos jogos, tem vaiado as paralisações que, curiosamente, chegam num momento em que o futebol tenta combater o jogo picotado, parado frequentemente pela cera e pelo antijogo. Parece paradoxal. É preciso estar aberto a mudanças. Por ora, o problema talvez seja introduzir algo drástico com um debate ainda imaturo.