Demorei anos para entender uma distinção que mudou a forma como lidero: eu posso construir a ponte, mas não posso carregar ninguém para atravessá-la.

Mulheres que empreendem carregam, quase como herança genética, o instinto do cuidado. A gente quer que o time cresça, que o colaborador supere seus limites, que a pessoa talentosa ali na nossa frente finalmente enxergue o que nós enxergamos nela. É bonito e é, ao mesmo tempo, onde a gente se perde.

Quantas vezes me peguei investindo energia, tempo e recursos em alguém que, no fundo, não queria chegar ao outro lado? Não porque faltasse capacidade, pois o talento estava ali, visível, mas porque a zona de conforto era boa o suficiente, confortável, segura, e quem sou eu para dizer que isso está errado?O problema não é o outro, mas é a expectativa que a gente deposita sobre a decisão que pertence, integralmente, a ele.

A empreendedora cuidadora confunde responsabilidade com controle. Acha que se a pessoa não cresce, é porque ela não fez o suficiente. Aí cria mais um treinamento, dá mais uma chance, carrega mais um pouco. Até que para no meio da ponte com um fardo que nunca foi dela e ainda se pergunta por que está exausta.

Todas