Luciana Garbin: Já ouviu falar em falso bem-estar? Cuidado com quem vende saúde mentalMarcas e influenciadores usam autocuidado como isca de marketing e transformam ilusão de equilíbrio e felicidade em mercadoria. Crédito: Valéria Turola (edição)Gerando resumoMuitos profissionais têm dificuldade em encontrar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Thasunda Brown Duckett, presidente e CEO da TIAA (empresa de planejamento e gestora de patrimônio), era uma delas, até que um colapso emocional em um terminal de ônibus, provocado por sua rotina intensa, lhe trouxe uma revelação.PUBLICIDADE“Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é uma mentira. Nunca se concilia completamente... então abandone essa ideia”, relembrou Duckett sobre esse momento de despertar.A mudança de mentalidade dela ocorreu numa noite, durante seus quase nove anos no JPMorgan Chase, onde ela ascendeu ao cargo de CEO do Chase Consumer Banking. Seus intensos dias de trabalho eram intercalados com longos deslocamentos entre Nova Jersey e Nova York, deixando pouco tempo para a família fora do ambiente profissional.Duckett estava esperando o último ônibus do dia na rodoviária, observando os passageiros que chegavam atrasados em direção ao cassino e o zelador limpando o local para a noite, quando a pressão chegou ao limite.PublicidadeLeia tambémUm boné e um discurso: a estratégia de uma jovem da geração Z para conseguir o primeiro estágioAnne Hathaway e o ChatGPT: como textos de IA podem arruinar sua candidatura a uma vagaQuais profissões vão bombar no novo mundo do trabalho, segundo o CEO da NvidiaEm lágrimas, ela ligou para o marido para desabafar sobre nunca ver os filhos antes ou depois do trabalho. E o marido — pai que fica em casa cuidando dos filhos, fuzileiro naval e engenheiro — deu uma resposta que mudou sua perspectiva: “então peça demissão”.Ele argumentou com ela que, se a situação atual não funcionava para ela, também não funcionaria para a família. E, graças à sua franqueza, algo mudou.“Foi naquele momento que algo precisava mudar, e foi a minha mentalidade”, disse a líder da TIAA. “E então, esse equilíbrio entre vida pessoal e profissional... eu estava levando uma surra. Eu sentia que estava falhando com meu marido, com meus filhos, com minha mãe, meu pai, meus irmãos, com todos. Eu simplesmente não estava vencendo, e eu precisava de uma vitória.”Essa constatação impactou a forma como ela conduziu sua carreira desde então. Depois de abandonar a luta pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional, seu sucesso só cresceu; em 2021, ela foi escolhida para ser CEO de uma empresa da lista Fortune 100, a gigante de planejamento de aposentadoria TIAA.PublicidadeO segredo de Duckett para gerir todas as responsabilidades: uma mentalidade de “portfólio diversificado”.Os líderes de empresas bilionárias têm suas próprias filosofias sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e a CEO da gigante dos serviços financeiros não é diferente. Brown Duckett criou sua própria estratégia: em vez de se esforçar para dar atenção igual a todas as áreas de sua vida, ela agora pensa em seu tempo e energia como investimentos que devem ser alocados intencionalmente.“Essa mudança para uma carteira diversificada — porque trabalho no setor financeiro — mudou tudo”, disse Duckett. “Se você vive sua vida como uma carteira diversificada, você diz a si mesmo a verdade. Você só tem 100%, não 110%. A outra verdade é que você aloca recursos para as coisas que definem quem você é.”Duckett garante que dedica sua energia aos relacionamentos e responsabilidades que mais importam.PublicidadeCEO Thasunda Brown Duckett teve um colapso num terminal rodoviário e decidiu rever sua vida profissional Foto: FortunePUBLICIDADEComo filantropa, mãe, irmã, tia, esposa e executiva, ela está constantemente dividida entre diferentes responsabilidades. Agora, ela reconhece que dividir seu tempo também significa que ninguém consegue ter toda a sua atenção.A líder de 52 anos afirma que nem mesmo seus filhos recebem 100% de atenção — na realidade, eles só conseguem 30% depois de descontar sono, trabalho e escola de suas rotinas. E, em vez de se sentir culpada por não conseguir investir mais tempo com eles, Duckett aceita suas limitações e diz que isso até permite que ela esteja mais presente de forma intencional.“Ao reconhecer que só tenho 30%, consigo ser uma mãe mais presente, vivendo minha vida como um portfólio diversificado, assim como a volatilidade do mercado”, continuou Duckett. “A vida é assim, e você terá volatilidade na vida.”Viver com essa mentalidade também a tornou uma filha e irmã melhor, disse a diretora da TIAA. E isso porque ela não está mais sobrecarregada pela ansiedade de ter que se dedicar 100% a todos o tempo todo. Tudo o que importa para ela ainda está em seu portfólio — só que agora, ela permite que seu tempo e atenção variem de acordo com as condições do mercado ou da vida.Publicidade“Eu me permito muita indulgência”, disse Duckett. “Se você viver sua vida como um portfólio diversificado, em vez de tentar conciliar trabalho e vida pessoal, você terá um desempenho melhor do que essa coisa chamada vida.”
‘Equilíbrio entre vida pessoal e profissional é uma mentira’, diz CEO de gestora americana
Após colapso emocional, executiva percebeu que ter esse equilíbrio é uma ilusão e adotou uma nova abordagem para gerenciar suas prioridades








