Toda vez que leio um novo relatório sobre empreendedorismo feminino, encontro o mesmo padrão de que os números crescem, as barreiras persistem, e o subtexto é sempre o de uma surpresa que não deveria mais surpreender ninguém. As mulheres estão empreendendo mais, em todo lugar, com mais consistência do que se imaginava, e com resultados melhores do que o mercado apostava.
Acompanho esse movimento há anos e o que mais me chama atenção não é nenhum dado isolado, mas, sim, a mudança de tom. Há uma década, falar de empreendedorismo feminino era quase sempre falar de obstáculos do crédito negado, do investidor cético, da dupla jornada. Hoje ainda existe tudo isso, mas o centro da conversa se deslocou e o que está em evidência agora é a performance, e ela é difícil de ignorar.
Pesquisas globais mostram que empresas fundadas por mulheres geram mais receita por real investido do que as fundadas por homens, que nos mercados emergentes —justamente onde as condições são mais adversas— a paridade de gênero no empreendedorismo está sendo alcançada mais rápido do que nos países ricos, e que países como Arábia Saudita —que há uma geração sequer permitiam que mulheres assinassem contratos—, hoje figuram entre os que mais avançaram em presença feminina nos negócios. A velocidade dessas mudanças é o que mais me impressiona.











