O espectro da Lava Jato ronda a investigação sobre o Banco Master? Talvez, mas ele também oferece lembranças proveitosas.

A esta altura da investigação a respeito do banco de Daniel Vorcaro e de suas ramificações, a associação tem aparecido em várias frentes e ressurgiu com força na recente fala do ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal.

No voto em que defendia mandar o pai de Daniel Vorcaro para prisão domiciliar, o ministro evocou a malfadada operação. "É com certa incredulidade e alguma tristeza que registro que as providências adotadas no caso têm semelhanças com iniquidades da Lava Jato", disse Gilmar, que vê a operação Compliance Zero "maculada pelo mesmo vezo do messianismo persecutório e do uso indevidamente instrumental do processo penal".

O ministro foi rebatido pelo colega André Mendonça, relator do caso Master no STF. "Não estamos a julgar a Lava Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país e uma das maiores do mundo."

O editorial da Folha entrou na dança e lembrou o tipo de fantasma que costuma aparecer nesses casos: "Os ensinamentos da Lava Jato (...) recomendam cautela não só com o risco de abuso das autoridades incumbidas de investigar e processar. É preciso cuidado com as tramas de gabinete destinadas a enterrar operações que se aproximam de figurões de Brasília".As semelhanças e diferenças podem ser debatidas, mas na cobertura também há ecos do passado. Nada grave a princípio, mas se é para fazer melhor não custa repensar a reprodução da foto divulgada pela Polícia Federal com os achados em "endereços" do senador Jaques Wagner (PT-BA). A imagem mostrava montinhos de notas de dólar cuidadosamente enfileirados, alguns euros dobrados, 13 relógios dispostos lado a lado e dois distintivos da polícia encimando o material.