Da Lava-Jato ao Master, ministros trocam mais recados do que poderia perceber um observador desatento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gilmar: alertas sobre fantasma do lava-jatismo; Mendonça: confiança paciente à frente do caso Vorcaro — Foto: Cristiano Mariz/4-3-2026 e BRENNO CARVALHO/12-6-2025 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 20:59 Embate no STF: Gilmar Mendes e Mendonça Divergem no Caso Master O artigo aborda o embate entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça no STF durante o julgamento do caso Master, destacando as mensagens sutis trocadas entre eles. Gilmar Mendes evoca sua crítica constante à Lava-Jato, enquanto Mendonça, com raízes evangélicas, se inspira no profeta Habacuque para lidar com questões de justiça. O texto sugere uma tensão entre abordagens antigas e novas no tribunal. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Este conteúdo faz parte da newsletter Recondo e os Onze, em que Felipe Recondo traduz os movimentos do STF e seus ministros. Clique aqui e inscreva-se para receber todas as quartas-feiras em seu e-mail. Funcionou como um ajuste de contas. Gilmar Mendes e André Mendonça desvelaram seus alertas e respostas na sessão da Turma do STF em que estava sendo julgado um incidente do caso Master. Um diálogo com mais mensagens e referências do que poderia perceber um observador desatento. A começar pela paráfrase de um embate recente entre os dois. Quando André Mendonça iniciou sua divergência na terça-feira com esta frase — “Quero agradecer por este julgamento presencial que me permite pôr às claras algumas coisas que não estão tão claras” — tinha certamente na memória o que ouviu calado de Gilmar Mendes em março deste ano. Quando o STF derrubou a liminar que Mendonça concedeu para prorrogar a CPI no INSS, Gilmar Mendes disse: “Quero agradecer a ele por ter nos dado esta oportunidade de ouro de dialogarmos, inclusive, com a CPMI”. E mesmo que este seja um detalhe entre tantas mensagens trocadas, revela a natureza deste conflito e a forma de pensar de Gilmar Mendes (já muito conhecido de quem observa o tribunal há décadas) e de André Mendonça (dos mais novos no tribunal e a ser compreendido por muitos). O ministro Gilmar Mendes costuma, nos embates sobre esta temática — combate à corrupção —, usar como cartilha a lista de erros e vícios da Lava-Jato. Algo já notório: os diálogos entre o então juiz Sergio Moro e o Ministério Público, os vazamentos indevidos de informações, a manipulação da opinião pública e demais estratégias que levaram a Lava-Jato à derrocada. É como um fantasma a pairar sobre as investigações de corrupção no Supremo. Como se a máscara de Sergio Moro coubesse no rosto de Mendonça, como se fosse um lava-jatista acrítico que atuará mais cedo ou mais tarde como justiceiro. Desconhecendo, talvez, críticas que Mendonça já fazia a Moro e aos procedimentos da operação desde que ainda estava anônimo na Controladoria-Geral da União. Os alertas de Gilmar Mendes foram expressos. Como se dissesse — e como costuma repetir: o Supremo pode ter um encontro marcado com isso. Mendonça que cuide para que o Master não seja a próxima Lava-Jato. Mas neste diálogo, do outro lado da linha, está alguém que transita entre o Velho e o Novo Testamento. Genuinamente evangélico que é, exercita os dois, em momentos diferentes, conforme a circunstância. Piedade e compreensão do Novo Testamento na relação com os colegas. Mas quando se trata de justiça recorre especialmente a um profeta do Velho Testamento: Habacuque. Gilmar Mendes é repetitivo, minucioso e às vezes impiedoso. André Mendonça, ao lembrar-se de Habacuque, não é da vingança ou da resignação cínica, mas da confiança paciente. Recondo e os Onze - 17 de junho de 2026 — Foto: Felipe Recondo