Ministro comparou investigações e uso da delação premiada na Operação Compliance Zero com 'punitivismo inebriado' da ação conduzida pelo ex-juiz paranaense 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do STF Gilmar Mendes e o senador Sérgio Moro — Foto: Nelson Jr./STF / Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 08:59 Gilmar Mendes critica Operação Compliance Zero e compara à Lava-Jato; Moro rebate acusações O ministro Gilmar Mendes comparou a Operação Compliance Zero ao "punitivismo inebriado" da Lava-Jato, criticando o uso da delação premiada. Sergio Moro rebateu, defendendo a manutenção das prisões de envolvidos no caso Banco Master. Mendes destacou práticas autoritárias e criticou a falta de transparência. André Mendonça defendeu a operação, classificando o caso Master como "contornos de máfia". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, rebateu as críticas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes à Lava-Jato. Nesta terça-feira, durante sessão em que a Segunda Turma da Corte decidiu manter as prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, o magistrado comparou o uso da delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero — que investiga o escândalo do Banco Master — com o que chamou de "práticas processuais autoritárias" para "induzir" construções de narrativas na operação conduzida pelo ex-juiz paranaense. O ministro Kassio Nunes Marques acompanhou o relator, André Mendonça, além de Luiz Fux, que já havia adiantado seu voto, a favor da manutenção da prisão. Gilmar foi o único ministro a votar pela substituição das medidas por prisão domiciliar e cautelares. "Gilmar Mendes, apesar de sua ladainha contra a Lava Jato, fracassou em sua tentativa de livrar da prisão preventiva a gangue do Master. Vitória da lei e da justiça", escreveu Moro, na noite desta terça-feira, em suas redes sociais. Em outra publicação, Moro também elogiou a manutenção da prisão. Segundo ele, os ministros Mendonça, Fux e Nunes Marques "honraram as togas e não embarcaram nas narrativas falsas sobre a investigação ou sobre os motivos das prisões". O caso foi julgado ontem após Gilmar pedir vista do caso e suspender, em 23 de maio, a análise dos pedidos das defesas. Com a devolução do processo, a Segunda Turma retomou o julgamento dos recursos contra as decisões do ministro André Mendonça que determinaram as prisões dos familiares de Vorcaro. 'Delações sob pressão' x 'contornos de máfia' Gilmar fez uma série de críticas ao papel de magistrados em investigações criminais durante a análise de recursos relacionados às prisões. O magistrado iniciou seu voto fazendo críticas à Lava-Jato, sobretudo a práticas envolvendo familiares de investigados e ao uso da delação premiada. — Nossa experiência institucional recente está repleta de exemplos dos efeitos altamente danosos que a espetacularização de investigações penais podem causar. É evidente que me refiro às práticas processuais autoritárias da famigerada Operação Lava-Jato, que refletiu um punitivismo inebriado com a expectativa de popularidade e ultrapassaram todas as raias da legalidade — declarou Gilmar, que ainda mencionou "vazamentos seletivos, estigmatização pública de acusados e utilização de prisão preventivas para induzir deleações premiadas". Sem citar diretamente o relator André Mendonça, o decano afirmou que "não cabe ao magistrado em hipótese alguma participar das negociações realizadas para a formalização do acordo de delação", ressaltando que essa vedação está expressa na legislação. Gilmar também fez críticas à forma como documentos da investigação foram disponibilizados às defesas e aos próprios integrantes da Segunda Turma. Segundo o ministro, relatórios produzidos pela Polícia Federal e utilizados para embasar as prisões cautelares só foram juntados aos autos semanas depois de sua elaboração e após decisão de André Mendonça para levantar o sigilo de parte do material. Após o voto de Gilmar, Mendonça pediu a palavra e afirmou que o caso Master tem "contornos de máfia": — Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato. Estamos aqui a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país e, talvez, uma das maiores do mundo. E essa fraude tem algumas peculiaridades. Não é simplesmente um crime de colarinho branco; é mais do que isso. Não são simplesmente atores nos gabinetes, nos escritórios da Faria Lima ou nos palácios que provocaram a dilapidação do FGC, das poupanças do nosso país. Aqui há contornos de máfia, contornos de crime organizado mafioso: fuzis, metralhadoras, armas raspadas, infiltração no sistema policial — disse Mendonça. O ministro relembrou uma conversa que teve com Gilmar antes de sua indicação ao STF e disse que, na ocasião, ouviu do decano que era necessário ter coragem para integrar a Corte. — Lembro que Vossa Excelência me disse que, para ser ministro do Supremo, era preciso ter coragem. E eu respondi que não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal. Não tenho medo de combater o crime aplicando a lei. Não ajo por pressão da mídia nem busco a mídia. Sou um servidor público e, com muito orgulho, sirvo à Justiça há mais de 25 anos. Minha única pretensão aqui é aplicar a lei — afirmou. Mendonça também rebateu críticas às prisões decretadas no caso e disse que medidas cautelares não podem ser utilizadas como instrumento para obtenção de delações. — Vossa Excelência tem razão: não se prende para ter delação. Seria um absurdo fazer isso. Eu não me presto a trabalhos dessa natureza. Se prende porque se está praticando crime, porque se está obstruindo a Justiça, porque se está tentando ocultar provas ou porque há continuidade delitiva. Para isso se prende — declarou.
Após Gilmar Mendes comparar caso Master com 'práticas autoritárias' da Lava-Jato, Moro rebate críticas: 'Ladainha'
Ministro comparou investigações e uso da delação premiada na Operação Compliance Zero com 'punitivismo inebriado' da ação conduzida pelo ex-juiz paranaense







