A Operação Lava Jato, conjunto de iniciativas que a partir de 2014 investigaram esquemas bilionários de corrupção envolvendo agentes políticos e empresários próximos do poder, voltou a ser tema de um acalorado debate entre ministros do Supremo Tribunal Federal.
A discussão se deu na sessão da Segunda Turma que avaliou a manutenção das prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, também preso.
O ministro Gilmar Mendes, ao divergir do voto do relator André Mendonça pela sustentação da detenção cautelar, acusou o colega de reeditar métodos abusivos da Lava Jato. As prisões de parentes do líder do bando responsável pelo maior desfalque financeiro da história nacional seriam, segundo Mendes, meios de coagir Daniel a fazer delação.
De fato, medidas cautelares como a prisão preventiva, decretadas antes e a despeito da formação de culpa, deveriam ser deferidas com extrema parcimônia e em estreita ligação com os casos previstos em lei. São remédios para situações em que a liberdade do implicado põe em risco a própria investigação ou a sociedade.
Mendonça respondeu no mérito ao desafio do decano. No caso em tela, disse, "há contornos de crime organizado mafioso, de fuzis, de metralhadoras, de armas raspadas, de infiltração no sistema policial". A organização que pai e primo do ex-banqueiro são suspeitos de integrar não cuida de amenidades, e sim de coação, espionagem e ameaças a quem se ponha no seu caminho.











