Mudança na dinâmica de forças ganhou novo capítulo em derrota do posicionamento do decano sobre prisão de familiares de Daniel Vorcaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros do STF Gilmar Mendes e André Mendonça — Foto: STF e Brenno Carvalho RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 20:32 Mudança na Segunda Turma do STF: Mendonça ganha força, Gilmar enfrenta desafios A dinâmica de forças na Segunda Turma do STF mudou após o caso Master, fortalecendo André Mendonça e desafiando a influência de Gilmar Mendes. O voto de Mendonça, apoiado por Fux e Nunes Marques, manteve Henrique Vorcaro preso, contrariando Gilmar. A nova composição do colegiado, com integrantes como Nunes Marques e Fux, reflete uma postura mais rigorosa em questões penais. A relação entre Mendonça e Nunes Marques se estreitou, influenciando alianças e decisões no STF. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os desdobramentos do caso Master formaram uma nova rede de apoio em torno do ministro André Mendonça na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), colegiado em que o decano da Corte, Gilmar Mendes, mantém há anos o protagonismo. A mudança na dinâmica de forças ganhou mais um capítulo na semana passada, quando o voto de Mendonça para manter na cadeia o pai de Daniel Vorcaro foi seguido pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, derrotando o posicionamento de Gilmar, que defendeu a prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. O julgamento de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, era visto no Supremo como um teste da atual correlação de forças. Ministros observavam que Nunes Marques detinha o voto potencialmente decisivo. Caso ele acompanhasse Gilmar, haveria empate, o que resultaria na domiciliar. O magistrado, no entanto, acompanhou Mendonça, o relator, assim como na manutenção da prisão de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro — o decano votou pela soltura nesse caso, com medidas como a proibição de falar com investigados. Troca de farpas A mudança ocorre em um espaço que historicamente funcionou como um dos centros de disputa entre alas do Supremo, o que se acentuou na Operação Lava-Jato. Foi no colegiado que Gilmar protagonizou alguns dos embates contra os métodos utilizados pela força-tarefa de Curitiba e pelo então juiz Sergio Moro. Ao lado de integrantes como o ex-ministro Ricardo Lewandowski e, posteriormente, Dias Toffoli, formou maiorias que resultaram em decisões envolvendo delações premiadas, prisões preventivas e investigações da Lava-Jato. O grupo se consolidou como um contraponto à força-tarefa, e o relator, ministro Edson Fachin, hoje presidente da Corte, frequentemente ficava vencido. As divergências extrapolavam o mérito dos processos. Em um dos episódios daquele período, durante a crise provocada pela delação da JBS, em 2017, Gilmar afirmou em sessão que o caso representava um “grande vexame” para o Supremo e dirigiu críticas ao então relator da Lava-Jato. Fachin respondeu: “Minha alma está em paz”. A operação que acirrou os ânimos na Corte anos atrás também surgiu no julgamento que determinou a manutenção da prisão preventiva de Henrique Vorcaro. As menções vieram em forma de críticas de Gilmar sobre a realização de delações premiadas “sob pressão” e declarações sobre a conduta de juízes que se envolvem nas investigações, mensagens que foram vistas como recados a Mendonça. As avaliações do decano já haviam sido externadas durante a análise da prisão do próprio Daniel Vorcaro, em março, quando criticou o “apelo a conceitos porosos e elásticos” usados pelo relator. Gilmar também citou a Lava-Jato para alertar sobre o risco de “atropelo a ritos processuais” no caso, mas acabou acompanhando Mendonça, que conseguiu unanimidade na validação da medida que havia determinado. Apesar do apoio que vem se consolidando como majoritário na Segunda Turma, a condução de Mendonça no caso Master encontra resistências entre parte dos ministros do outro colegiado, que nos bastidores criticam a forma como ele vem atuando no caso. Mesmo dentro da Segunda Turma, interlocutores dos magistrados ressaltam que não há alinhamento automático em torno do relator e que divergências pontuais podem surgir ao longo da tramitação do caso. Procurados, os ministros e o STF não se manifestaram. A composição atual da Segunda Turma é bastante diferente daquela que protagonizou os embates da época da Lava-Jato e que viu seu protagonismo diminuir com a ascensão do colegiado vizinho. Sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, a Primeira Turma concentrou julgamentos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, às investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados e aos principais inquéritos sobre ataques à democracia. O novo quadro foi desenhado a partir da chegada de Nunes Marques, que ocupou a cadeira de Celso de Mello em 2020. Depois, vieram a transferência de Cármen Lúcia para a Primeira Turma, em 2021, a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, em 2023, a chegada de Dias Toffoli, também em 2023, e a ida de Fachin para a presidência, no ano passado. Nos últimos meses, o caso Master contribuiu para recolocar o colegiado no centro da agenda — até o final de 2025, a falta de processos na pauta tornou as sessões rápidas e muitas vezes com frequência mensal, não a cada semana. Como relator das investigações após a saída de Toffoli, em fevereiro, Mendonça passou a conduzir decisões envolvendo prisões, buscas, quebras de sigilo e medidas cautelares relacionadas ao inquérito, levando também o caso para o colegiado. Integrantes do Supremo observam que a composição atual reúne perfis diferentes daqueles que marcaram a Segunda Turma no auge da Lava-Jato. Mendonça e Fux são vistos por colegas como ministros com posições mais rigorosas em matéria penal e menos inclinados a rever medidas cautelares decretadas durante investigações. No ápice da Lava-Jato, a Segunda Turma chegou a ser chamada de “Jardim do Éden”, por acumular decisões favoráveis a réus, em contraposição à “Câmara de Gás”, alcunha dada à Primeira Turma. Indecifrável Atualmente, Nunes Marques, embora tenha se aproximado de Mendonça e de Fux em julgamentos recentes, continua sendo visto por colegas como um dos ministros mais difíceis de serem decifrados. Integrantes do Supremo afirmam que ele ainda não construiu um campo de atuação claramente identificável dentro do tribunal e costuma estabelecer alianças circunstanciais de acordo com cada tema. Em diversos julgamentos, atua como uma espécie de pêndulo, capaz de migrar entre diferentes grupos e definir o resultado das votações. Integrantes da Corte veem o alinhamento entre ele e Mendonça como elemento que iniciou essa nova correlação interna, com a dupla atraindo em parte dos julgamentos Fux e Toffoli, que se declara impedido nas ações relacionadas ao Master. Ao mesmo tempo, a relação de Mendonça com Nunes Marques se estreitou ainda mais em razão da atuação conjunta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde maio, Nunes Marques ocupa a presidência da Corte eleitoral, com Mendonça de vice. A mesma dinâmica atingiu Dias Toffoli, que no início do mês assumiu uma cadeira de ministro titular do TSE. Integrantes da Corte avaliam que essa aproximação produziu efeitos também na Segunda Turma. Embora Toffoli mantenha posições próprias e nem sempre acompanhe os colegas de TSE, ministros observam que se consolidou um núcleo de maior interlocução entre os três, reduzindo a previsibilidade das alianças que durante anos marcaram o colegiado, especialmente entre Toffoli e Gilmar. Auxiliares do Supremo lembram que esse novo cenário na Segunda Turma não significa que o decano tenha perdido influência na Corte e destacam que Gilmar continua sendo uma das vozes mais influentes, com capacidade de articulação tanto nos bastidores quanto no plenário. Em diversos temas, é o principal interlocutor entre diferentes grupos de ministros, o Congresso e o Executivo. Na quarta-feira, ao comentar o momento vivido pelo Supremo, Gilmar afirmou que a defesa da democracia continua sendo um ponto de convergência entre os ministros e que, nesse tema, não há divisões dentro da Corte.
Caso Master amplia força de Mendonça na Segunda Turma do STF e desafio Gilmar
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