Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm adotado uma postura discreta em relação às investigações da fraude bilionária no Banco Master. Segundo interlocutores ligados ao caso na Corte, o desconforto é evidente: o processo expõe muitas figuras públicas e encosta, inclusive, em integrantes do próprio Supremo. Nesse cenário, qualquer comentário, mesmo reservado, pode virar munição política ou institucional. Afastar o tribunal desse foco passou a ser, portanto, uma questão de sobrevivência.
Nem mesmo o embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça, no julgamento dos habeas corpus de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, e de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, rompeu esse silêncio. A discussão foi dura, mas não provocou comentários públicos ou reservados de maior peso entre os demais ministros.
Crítico voraz da Lava Jato, Gilmar evocou a memória da operação ao votar pelo afrouxamento das prisões decretadas por Mendonça. Sem citar diretamente os investigadores do caso Master, fez críticas à condução de acordos de colaboração premiada e alertou para o risco de delações ‘sob pressão’ – e a validade de seus resultados.
O decano também criticou a exposição pública de temas privados dos investigados e afirmou que magistrados não devem assumir funções próprias de investigadores. Foi justamente nesses autos liberados, contudo, que a Polícia Federal afirmou ter encontrado indícios de que Felipe e Henrique integravam uma organização criminosa armada voltada a obter favorecimentos para Daniel Vorcaro e o Master.












