O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes criticou nesta segunda-feira (22) o relator do caso Banco Master na corte, ministro André Mendonça, por ter recebido advogados de defesa de Daniel Vorcaro para discutir a delação do banqueiro.
Gilmar chamou a situação de "erro crasso" e citou como um exemplo de excessos na investigação do escândalo financeiro. Segundo ele, é uma "impropriedade" que o julgador participe dessas negociações.
"André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. Aqui já há uma impropriedade. Porque a lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação. O acordo é entre o Ministério Público e o delator. Então, aqui já há algo de erro crasso", disse Gilmar, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Mendonça e Gilmar tiveram uma discussão em sessão da Segunda Turma da corte na semana passada, quando o relator disse que rejeitou uma proposta de delação do banqueiro que considerou seletiva. Na ocasião, o colegiado decidiu negar autorização para prisão domiciliar ao pai de Vorcaro, Henrique, como defendia Gilmar.
"Falaram na minha cara isso. Eu disse: 'Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo não'", afirmou o ministro. Logo depois, no entanto, ele disse que foi apresentada a ele a primeira proposta de delação de Vorcaro, mas ele não quis "acessá-la".









