Em tempos de crise, uma das estratégias é submergir. Mas nem todos conseguem. Nem sempre é possível. Exposto demais, um enorme passivo de relações pessoais suspeitas sob o escrutínio da PF, o Supremo Tribunal Federal é proeminente, conflituoso. As decisões de seus ministros são capazes de desviar o curso dos acontecimentos.

Ao enfrentar publicamente o ministro André Mendonça, a sua condução do inquérito no caso do Banco Master, durante o julgamento da prisão preventiva do pai e do primo de Vorcaro, Gilmar Mendes planta dúvidas jurídicas e processuais, legitima sentimentos de abuso e nulidades. É voto vencido. Mas é o decano. Tem o prestígio de ser articulado, destemido, poderoso. É fio de esperança para quem não quer delatar e para quem teme a delação.

Nos últimos meses, apareceram notícias constrangedoras para magistrados do próprio STF, senadores, deputados, governadores, ministros, candidatos de variados partidos, presidentes da Câmara e do Senado, hoje todos interessados em sepultar as investigações, particularmente quando elas se aproximam das conexões políticas do banqueiro preso e de sua espetacular generosidade em matéria de dinheiro, viagens e festas.

Ao votar, Gilmar Mendes faz comparação com a desmoralizada Lava Jato. É parte do plano de varrer, para debaixo do tapete, as sujeiras das ligações impróprias, perigosas e íntimas de agentes do Executivo, Legislativo e Judiciário com o empresário encurralado.