Os dois tiveram a prisão decretada por Mendonça em maio, na sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude no Master. Segunda Turma do STF retoma análise de prisão de primo e pai de Vorcaro — Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta terça-feira (16) a análise da decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão de Felipe Cançado Vorcaro e Henrique Vorcaro, respectivamente primo e pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os dois tiveram a prisão decretada por Mendonça em maio, na sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraude no Master. Os ministros da Segunda Turma irão analisar se mantém ou não a decisão de Mendonça, relator do processo. O julgamento virtual do caso começou em maio, mas foi paralisado por Gilmar Mendes, que pediu vista (mais tempo antes de votar). Agora, a análise foi retomada presencialmente, com o voto de Gilmar. Pouco depois da sessão, Mendonça tirou o sigilo das investigações. A medida é vista como uma tentativa de marcar posição e garantir que conseguirá maioria Segunda Turma para manter a prisão. Há dúvida, no entanto, se Mendonça sairá mesmo vencedor. Antes do pedido de vista de Gilmar em maio, o relator foi acompanhado por Luiz Fux. Há a expectativa, no entanto, que Gilmar se manifeste pela domiciliar de Henrique Vorcaro. Ainda não se sabe como votará Nunes Marques. Um eventual empate beneficia os investigados. Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma, não deve votar, pois tem se declarado suspeito em todos os julgamentos ligados ao Master. Ele teve o nome ligado a acusados de participação no esquema de fraude no banco. O caso Segundo Mendonça, relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf apontaram movimentações de R$ 18,4 bilhões de 2019 a 2026, em que Felipe seria o beneficiário central de fluxos financeiros vinculados ao primo, Daniel Vorcaro. Ainda fala que houve a tentativa de desvincular a origem formal dos valores movimentados, identificado por meio de mensagens enviadas. Mendonça ainda ressaltou os indícios de irregularidades envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ao qual Felipe teria feito a venda de uma empresa para a sua família com deságio de R$ 12 milhões, além de ser o responsável por operacionalizar os repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ao senador. Já Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, é apontado como um dos principais operadores financeiros, demandantes e beneficiários do núcleo criminoso batizado de “A Turma”, que teria sido usado para ameaçar e intimidar adversários. A PF encaminhou neste mês um novo relatório mostrando que ele teria seguido pagando os integrantes da “A Turma” e acompanhado as tratativas para comprar o silêncio da família de Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", que se matou após ser preso pela PF. Sicário também atuava para A Turma e foi preso no âmbito da Compliance Zero. O nome do pai de Vorcaro já havia aparecido na segunda fase da Compliance Zero. Na ocasião, Mendonça afirmou que foram bloqueados R$ 2,2 bilhões em uma conta de Henrique Vorcaro junto à antiga Reag. Eugenio Pacelli, que defende Henrique Vorcaro, disse ao Valor que foi surpreendido pelo novo relatório da PF enviado a Mendonça e tornado público nesta terça. “A inclusão do relatório na formação do convencimento unicamente do relator viola o direito de defesa”, afirmou. A Defesa de Felipe Vorcaro não respondeu.