0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master, e o banqueiro Daniel Vorcaro — Foto: Fotos de Brenno Carvalho/O Globo e Ana Paula Paiva/Valor O julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que confirmou as prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo de Daniel Vorcaro, foi marcado por uma dura crítica do relator, ministro André Mendonça, ao comportamento da defesa do banqueiro, que já teve uma segunda proposta de delação premiada rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Mendonça disse que, ao longo das negociações, foi procurado por um advogado de Vorcaro que teria lhe sugerido uma delação “seletiva”. O ministro não quis dar nomes, mas fez questão de dizer que não se tratava do criminalista José Luís de Oliveira Lima, o Juca, que deixou a defesa do dono do Banco Master após implodir as pontes com o relator. Os dois se desentenderam após uma ríspida discussão sobre os rumos de um eventual acordo de colaboração, o que levou Mendonça a deixar de receber Juca em seu gabinete. “Fazendo Justiça, não é o advogado que deixou o caso, o Juca. Mas me chegou uma proposta por um advogado… perderam o pudor, ministro Gilmar [dirigindo-se ao decano do STF, que preside a Segunda Turma]. 'Queremos fazer uma delação seletiva'. [O advogado] Falou na minha cara isso. Eu disse: ‘Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo, não”, relatou Mendonça. Segundo a equipe da coluna apurou com fontes a par das investigações, o advogado a que se referiu Mendonça é Roberto Podval, que deixou a defesa de Vorcaro em março deste ano. Procurado pelo blog, Podval disse que “não faria delação nem seletiva nem por inteiro”. “Não posso responder, pois certamente ele [André Mendonça] não se referiu a mim, pois não fiz proposta nenhuma”, afirmou. Podval era refratário a um acordo de colaboração premiada amplo que pudesse incriminar pessoas de seu círculo íntimo, tanto no mundo político quanto no jurídico, além de ex-clientes. De acordo com fontes a quem o episódio foi relatado na época, Podval teria sugerido que não se incluísse em uma eventual delação de Vorcaro nem ministros do Supremo (como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre – algo que o advogado nega, já que afirma não ter sido ele quem fez a sugestão a Mendonça. Podval é amigo há décadas de Toffoli, que deixou a relatoria do caso Master em fevereiro deste ano após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar pessoalmente ao presidente do tribunal, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição. Um dos pontos mais delicados era o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio. Desde então, Toffoli tem se declarado suspeito e não participa do julgamento de casos relacionados às investigações do Banco Master, como o desta terça-feira (16), que confirmou as prisões do pai e do primo de Vorcaro pelo placar de 3 a 1. Votaram com Mendonça os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. – só Gilmar Mendes não referendou a decisão de Mendonça. Mesmo longe do caso Master, Toffoli ainda pode ajudar Vorcaro indiretamente, já que o seu afastamento deixa apenas quatro ministros aptos a votar na Segunda Turma, abrindo margem para empates, que sempre favorecem os investigados.
Quem foi o advogado de Vorcaro que propôs ‘delação seletiva’ a André Mendonça
Quem foi o advogado de Vorcaro que propôs ‘delação seletiva’ a André Mendonça













