O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça votou nesta sexta--feira (22) para manter a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master. O empresário foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero em 14 de maio. Segundo as investigações, ele era um dos principais operadores financeiros, demandantes e beneficiários do núcleo criminoso “A Turma”, usado para ameaçar e intimidar adversários. O julgamento, que ocorre no plenário virtual da Segunda Turma do STF, foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O decano tem até 90 dias para analisar o caso e devolvê-lo para julgamento. No mesmo dia, a Segunda Turma também começou a analisar se mantinha a prisão do primo de Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro. Mendonça votou pela manutenção da prisão de Felipe Vorcaro, mas Gilmar também pediu vista. Além de Henrique, também estão submetidas a referendo do colegiado as demais decisões de Mendonça que autorizaram a operação policial. Ao todo, também foi preso um agente da Polícia Federal (PF) suspeito de repassar informações sigilosas de investigações ao grupo de Vorcaro, o afastamento de outro agente e outros cinco mandados de prisão e buscas em 17 endereços. A defesa de Henrique apresentou argumentos e solicitou a reconsideração da decisão. Os advogados tentaram alegar que as cobranças feitas por um dos integrantes da Turma a Henrique não estavam relacionadas a serviços ilícitos, mas a empreendimentos legais. Também argumentaram que Henrique não ofereceria mais risco à garantia da ordem pública, uma vez que todos cessaram todas as condutas atribuídas a eles em março, quando o ex-banqueiro foi preso. Ao analisar os pontos da defesa, Mendonça afirmou que a aparência formal de operações financeiras sofisticadas é parte do modus operandi da organização criminosa investigada, mas que, na realidade, consistiam em pagamentos pela prestação de serviços ilícitos. Também considerou que as investigações apontaram que, mesmo após a prisão de Daniel, as atividades persistiram. “Portanto, o que se verifica diante dos esclarecimentos acima aduzidos é que, ao contrário do que argumenta o agravante, a avaliação, em boa técnica, do cenário que se experimentou antes, durante e após a deflagração da terceira fase da operação, evidenciado pela análise dos fatos devidamente situados no tempo, robustecem ainda mais os elementos de convicção já devidamente verificados e apontados, à exaustão, na decisão ora submetida a referendo”, afirmou Mendonça. A sexta fase da Operação Compliance Zero se aprofundou nas investigações sobre a atuação dos núcleos ligados a Vorcaro. Revelou, por exemplo, a existência de um segundo grupo, além da “Turma”, que era formado por hacker, batizado de "Os Meninos". Segundo a decisão de Mendonça, eles teriam "conseguido derrubar perfis de rede social de pessoas críticas ao grupo". A apuração também chegou a integrantes da própria PF que teriam ajudado a milícia privada de Vorcaro. Foi preso um agente da corporação e afastada uma delegada que atuava na PF em Minas Gerias. Eles são suspeitos de consultarem os sistemas internos da PF para repassar informações de interesse a Vorcaro e seu pai. Por fim, a operação ainda revelou a existência de um "subnúcleo" carioca, com o envolvimento de operadores do jogo do bicho e milicianos do Rio de Janeiro, que intimidaram desafetos do ex-banqueiro.
Além do primo, Mendonça vota para manter prisão de pai de Vorcaro, mas Gilmar também pede vista e suspende análise
Decano do STF tem até 90 dias para analisar caso e devolvê-lo para julgamento; também nesta sexta, Mendonça votou pela manutenção da prisão de primo de Vorcaro, caso no qual Gilmar também pediu vista












