Felipe foi preso em 7 de maio por decisão do Supremo no âmbito da "Operação Compliance Zero". Ele é apontado pela Polícia Federal como peça central do núcleo financeiro-operacional investigado. Após o voto de Mendonça, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, isto é, mais tempo para a análise do processo. Com isso, o julgamento — em plenário virtual da Segunda Turma do STF — fica paralisado. Agora no g1 Preventiva Segundo o voto do relator, a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública e evitar a continuidade dos crimes, uma vez que o investigado teria mantido as práticas ilícitas mesmo após a deflagração de fases ostensivas da Operação Compliance Zero. 🔎A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com foco em operações do Banco Master. Segundo os investigadores, o grupo é suspeito de emitir títulos de crédito sem lastro e prometer rentabilidade fora dos padrões de mercado, em um esquema que pode ter movimentado bilhões de reais. Felipe Cançado Vorcaro e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução Continuidade delitiva e 'descarimbo' de recursos Em seu voto pela manutenção da prisão do primo de Vorcaro, nesta sexta, Mendonça destacou que Felipe Vorcaro assumiu o protagonismo da organização criminosa após a prisão de Daniel Vorcaro. Relatórios de inteligência financeira (RIF) do Coaf apontaram movimentações que totalizam aproximadamente R$ 18,4 bilhões entre 2019 e 2026, com Felipe figurando como beneficiário central de fluxos vinculados a Daniel. A decisão cita que, em abril de 2026, Felipe teria participado da criação da empresa Infrasolar Holding Ltda., que, apesar de possuir capital social de apenas R$ 1 mil, realizou uma operação financeira de mais de R$ 132 milhões poucos dias após sua constituição. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam tratativas para criar estruturas societárias com o objetivo de "descer capital" e "descarimbar" recursos, termos interpretados como tentativas de ocultar a origem ilícita dos valores. "Destaca-se, ainda, a reiteração de condutas mesmo após o início das investigações, inclusive com criação de novas estruturas societárias e realização de operações financeiras recentes, o que evidencia a contemporaneidade dos fatos e o caráter permanente dos delitos investigados", diz um trecho da decisão. Ligação com núcleo político O ministro também relembrou indícios de irregularidades envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo as investigações, Felipe Vorcaro teria atuado na transferência de 30% de uma empresa para a família do parlamentar com um deságio superior a R$ 12 milhões de operacionalizarr epasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao político. Risco de fuga e obstrução Outro ponto determinante para a manutenção da custódia foi o comportamento de Felipe durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Relatórios policiais indicam que o investigado tentou frustrar a colheita de provas e empreender fuga ao se ausentar de sua residência antes da chegada das equipes (entenda mais abaixo). Para Mendonça, a estrutura investigada demonstra uma "altíssima capacidade de reorganização", o que torna medidas cautelares alternativas insuficientes para paralisar as atividades do grupo. "A liberdade do investigado compromete a efetividade da investigação e a futura aplicação da lei penal", afirmou o ministro em seu voto. Fuga em carrinho de golfe em Trancoso De acordo com a Polícia Federal, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na segunda fase da operação, em janeiro deste ano, Felipe estava em uma residência no condomínio Terravista, em Trancoso, na Bahia. Ele deixou o local poucos minutos antes da chegada dos agentes. Imagens de segurança analisadas pela PF mostram que ele teria consultado o celular repetidas vezes antes de sair rapidamente do imóvel. Em seguida, deixou a residência em um carrinho de golfe, veículo utilizado dentro do condomínio de alto padrão. Ainda, segundo o relatório, Felipe levou apenas equipamentos eletrônicos, deixando pertences pessoais e até o ar-condicionado ligado. Para os investigadores, a dinâmica da saída em carrinho de golfe reforça a suspeita de que ele teria sido alertado previamente sobre a ação policial.