Julgamentos foram suspensos com pedido de vista do ministro Gilmar Mendes O empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-dono do Banco Master — Foto: Reprodução do LinkedIn RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 12:16 Fux vota por manter prisões de parentes de banqueiro na Operação Compliance Zero O ministro Luiz Fux votou pela manutenção das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero. Os julgamentos, suspensos após pedido de vista de Gilmar Mendes, têm Fux e André Mendonça favoráveis às prisões preventivas. Felipe é acusado de ocultação de bens e envolvimento em supostas propinas ao senador Ciro Nogueira. A decisão final aguarda o voto de Kassio Nunes Marques. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro Luiz Fux votou neste sábado pela manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, em julgamentos virtuais na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos foram presos neste mês em novas fases da Operação Compliance Zero. Os julgamentos foram suspensos na sexta-feira com o pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Mesmo assim, Fux decidiu antecipar os seus votos e seguiu o relator André Mendonça, que defendeu a conversão as prisões temporárias em preventivas, sem data para terminar. Gilmar pediu mais tempo para analisar os casos e tem até 90 dias para apresentar os seus votos. Com o voto de Fux, os placares nos dois julgamentos que ancontecem de forma paralela são dois votos a zero pelas manutenções das prisões. Ainda falta o voto do ministro Kassio Nunes Maques. Dias Toffoli, que também faz parte da Segunda Turma, se declarou impedido e não participará dos julgamentos. Ao defender a prisão preventiva de Felipe Vorcaro, o ministro André Mendonça apontou, por exemplo, que o primo de Vorcaro adotou uma série de condutas para "dissimulação e ocultação patrimonial" até abril, mesmo após a abertura de uma série de fases ostensivas da Compliance Zero, inclusive as operações que prenderam o ex-dono do Master. O relator também citou a conduta de Felipe quando da abertura da segunda fase da Operação Compliance Zero, em 14 de janeiro. Segundo a Polícia Federal, o primo de Vorcaro fugiu de uma residência, em Trancoso (BA), minutos antes da chegada dos agentes da PF. Na ocasião, Felipe foi visto pelas câmeras de segurança saindo da casa em um carrinho de golfe. Outro ponto destacado por Mendonça para defender a preventiva de Felipe é a participação na operacionalização do pagamento de supostas propinas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). O ministro frisou que, segundo a PF, Felipe participou da transferência de 30% da empresa Green Investimentos, com um deságio de R$ 12 milhões, a uma empresa ligada à família do senador; e do pagamento de repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil ao parlamentar. O ministro destacou a "participação ativa" de Felipe em operações relevantes do esquema de Vorcaro, "inclusive com repasses a núcleo político e movimentações de elevada monta". "As investigações identificaram a utilização de extensa rede de pessoas físicas e jurídicas, por meio das quais os mesmos sócios se repetiriam em diferentes estruturas societárias, revelando aparente mecanismo voltado à ocultação da origem, natureza e titularidade de bens e recursos financeiros", frisou o ministro. Na época da prisão, a Polícia Federal apontou que o pai de Vorcaro foi usado para suposta ocultação de recursos bilionários em meio às investigações. Em seu voto, André Mendonça diz que a permanência de Henrique Vorcaro na prisão serve para evitar “a destruição ou alteração de provas; a combinação de versões com outros integrantes da organização criminosa; a permanência de intimidações e práticas violentas, a ocultação de ativos e documentos empresariais; bem como o funcionamento de estruturas empresariais de fachada”.