Defesa do banqueiro vinha reclamando das condições do cárcere comum Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada e uma das contrapartidas costuma ser a devolução de ativos, o que o banqueiro resiste — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 15:39 STF autoriza cela especial para banqueiro em meio a impasse de delação premiada O ministro André Mendonça, do STF, autorizou o banqueiro Daniel Vorcaro a retornar para uma cela especial na PF em Brasília após reclamações sobre as condições de sua cela comum. A defesa de Vorcaro busca um acordo de delação premiada, mas enfrenta resistência devido à falta de informações inéditas e relevantes. A PF e a PGR rejeitaram a proposta inicial e pressionam por mais provas sobre fraudes bilionárias. O advogado José Luís Oliveira Lima deixou a defesa em meio a negociações desgastadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, nesta sexta-feira, o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A decisão foi tomada após pedido da defesa do empresário, que vinha reclamando das condições da cela comum para onde havia sido transferido nos últimos dias. Vorcaro alegou problemas relacionados ao espaço reduzido e às condições de higiene da cela. A autorização para que ele permaneça novamente em uma cela especial é interpretada como uma nova oportunidade para que o ex-dono do Banco Master avance nas tratativas de colaboração com as autoridades. Investigadores avaliam que, até agora, os elementos apresentados por sua defesa foram considerados insuficientes diante do material já reunido pela PF. Também nesta sexta-feira, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou oficialmente a defesa de Vorcaro. A saída ocorre em meio ao desgaste nas negociações envolvendo um possível acordo de delação premiada e às resistências do empresário em apresentar fatos inéditos considerados relevantes para a investigação. A decisão foi tomada em “comum acordo”, segundo o defensor. O movimento ocorre após a PF rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Assim como a PF, a cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) não ficou satisfeita com o material apresentado, mas deu uma nova chance para que sejam entregues provas e relatos sobre o esquema das fraudes bilionárias — o que acabou aumentando a pressão sobre os advogados do banqueiro. Os investigadores entendem que o material extraído dos celulares dos investigados, incluindo o próprio Vorcaro, contém muito mais elementos do que as informações listadas no rascunho de delação apresentado até agora. Enquanto tentava fechar o acordo, o banqueiro ainda viu os investigadores fecharem o cerco sobre seus familiares. O pai dele, o empresário Henrique Vorcaro, está preso em uma penitenciária de Minas Gerais desde o dia 14 de maio. Ele passou a ser investigado como um dos “operadores financeiros” do grupo conhecido como “A Turma”, que seria responsável por articular e financiar atos de intimidação contra desafetos de Vorcaro, segundo a PF. A blindagem aos familiares era um dos pontos do acordo de colaboração que Vorcaro buscava negociar com a equipe da PGR e da PF. Criminalista conhecido no meio jurídico, Juca já atuou em casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato, ao defender o empresário Léo Pinheiro, da OAS, e na ação da trama golpista, ao atuar na defesa do general Walter Braga Netto.