Ainda que a defesa de Daniel Vorcaro mantenha ativa negociação com a PGR (Procuradoria-Geral da República) por uma delação premiada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça segue cético quanto à viabilidade de homologar um acordo que dê benefícios ao ex-banqueiro.
O relator do caso na corte avalia que o fato de a PF (Polícia Federal) ter rejeitado a proposta de delação corrobora o que ele já vinha dizendo desde o princípio da investigação: que dificilmente o dono do Banco Master será capaz de entregar informações adicionais àquelas que já foram obtidas de forma independente pelos investigadores.
Interlocutores do magistrado, responsável pelos casos da operação Compliance Zero no STF, afirmam que o ressarcimento integral dos prejuízos é um requisito inegociável para a homologação, e que um acordo que proponha a devolução menor não pode ser aceito.
Conforme mostrou a Folha, investigadores querem que Vorcaro restitua, em um curto período, cerca de R$ 60 bilhões. O ex-banqueiro, entretanto, propôs o pagamento de R$ 40 bilhões em dez anos. O valor e o prazo desagradaram integrantes da PF, da PGR e do Supremo.
Quando começaram as tratativas da delação, Mendonça chegou a considerar a possibilidade de, a depender da quantidade e da qualidade das informações prestadas, autorizar a prisão domiciliar para o empresário. Passados dois meses, esse é um cenário praticamente descartado pelo ministro.












