0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro após dar entrada no sistema prisional — Foto: Reprodução A decisão de ontem da Segunda Turma do STF de manter presos Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo de Daniel Vorcaro, deixa o ex-banqueiro numa situação bastante delicada. Tirá-los da prisão, como pretendeu Gilmar Mendes em seu voto solitário, seria um alento para o ex-dono do Master. Significaria uma possibilidade real de que Vorcaro poderia alcançar o mesmo benefício em breve. Um atalho e tanto. Mas Nunes Marques não acompanhou o voto de Gilmar. Com o resultado de 3 a 1, nada feito. O cenário mais provável agora é que André Mendonça transfira Vorcaro entre hoje e amanhã do “cárcere vip” onde se encontra na PF para um presídio comum, a Papudinha. Para passar um bom período hospedado lá. Uma vida ainda mais dura. Muito mais. A enxurrada de fatos novos que ontem veio a público por determinação de Mendonça reforça a certeza de que há muito ainda a ser revelado neste escândalo — só o cardápio de ontem incluiu mais ameaças a adversários a pagamentos de mordomias a parlamentares, passando por ordens de um falso flagrante de drogas ao ex-marido de sua namorada. Estrategicamente, Mendonça retirou o sigilo de trechos da investigação do Master horas antes do julgamento na Segunda Turma. Não foi coincidência também que tudo isso tenha acontecido um dia após a rejeição pela PGR da segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro. É a prova concreta que o Caso Master está mais vivo do que nunca, que ainda tem muita lenha para queimar neste escândalo. A consequência de todo esse caldo aparecerá em forma de novas operações de busca e apreensão, mais prisões e o surgimento de personagens poderosos no que se pode chamar de cena do crime. Não foi à toa que André Mendonça avisou no julgamento desta terça-feira: — Tem mais coisa por vir. Mas e a possibilidade de uma terceira proposta de delação? Tecnicamente é possível. Mas é muito mais difícil. Se for tentada. Daniel Vorcaro não poderia, por exemplo, narrar três versões diferentes sobre o mesmo assunto. Isso em tese, claro, pois o ex-faz-tudo de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, fez exatamente isso. Ainda assim é algo que enfraquece uma delação.