As operações da Polícia Federal se sucedem e confirmam suspeitas de que a máfia do Banco Master infestou todos os cantos da República. Sem preconceito partidário nem predileção ideológica, Daniel Vorcaro e seus comparsas buscaram comprar influência no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e nos três níveis federativos.

A entrevista do senador e ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) a esta Folha entrará para a crônica do chamado Mastergate como um documento didático da dissonância cognitiva entre os figurões de Brasília e o cidadão comum brasileiro. A promiscuidade entre interesses privados e assuntos públicos torna-se, nas palavras do parlamentar investigado, um conjunto de práticas corriqueiras e naturais.

Tudo se passa como se ligações de governadores com empresários, como as reveladas pelos policiais federais, fossem regra.

Pedir ao lobista dos bilhões roubados ingressos do show de uma popstar americana para a família também não causa estranheza ao senador. Seria um valor pequeno demais para corrompê-lo. As caronas em voos de jatinhos fariam parte da vida de um parlamentar, como o oxigênio.

Sim, ele pediu que Augusto Lima, sócio de Vorcaro, comprasse um apartamento de R$ 2,5 milhões em que estava interessado. Era um presente que Wagner pretendia dar à filha, e esse favor do interessado em contratos bilionários com governos e regulamentos do Congresso seria quitado oportunamente, afiançou.