Apesar de não haver ainda nenhuma delação premiada envolvendo o caso Master, a PF vem avançando a passos largos nas investigações. O senador Jaques Wagner, petista de escol e ex-governador da Bahia, foi tragado para o centro do escândalo. Um pouco antes, descobrirmos que Hugo Motta, o presidente da Câmara, também foi paparicado por Daniel Vorcaro, tendo usufruído de uma daquelas viagens nababescas bancadas pelo ex-banqueiro.

Sobrou até para a própria PF, pois ficamos sabendo que as organizações Master pagavam mesada de R$ 400 mil a um grupo de agentes e ex-agentes que se encarregavam de informar a família Vorcaro do andar das investigações. E essa é só uma versão muito sucinta de revelações dos últimos dias.

Antes disso, o caso Master já provocara abalos ainda mais profundos. A credibilidade do STF escoou pelo ralo com detalhes do relacionamento de Vorcaro com ministros da corte. Flávio Bolsonaro pode ter perdido de véspera a eleição com o áudio em que pede milhões de dólares ao mecênico ex-banqueiro para financiar o filme Dark Horse.

Como a PF avançou tanto se ninguém ainda recorreu à delação premiada? A resposta está nos celulares apreendidos. Esses aparelhinhos se tornaram a perdição de criminosos, que se encarregam eles próprios de produzir e armazenar as provas que irão mais tarde condená-los. E às vezes até se gabam de seus feitos.