As delações do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, já podem ser consideradas descartadas. No entendimento da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, ambos nunca estiveram, de fato, dispostos a apresentar informações novas e suficientemente abrangentes.

Sem a colaboração dos principais personagens, a PF terá de reconstruir sozinha uma rede que alcança agentes financeiros, servidores públicos, políticos e influenciadores, sob a pressão adicional de esclarecer menções a integrantes do próprio Supremo. Cerca de 20 profissionais, entre delegados, peritos e analistas, participam do trabalho.

Atualmente, são cinco os núcleos em apuração. O primeiro envolve servidores do Banco Central suspeitos de facilitar operações irregulares do Master. O segundo, a tentativa de salvamento do banco por meio do Banco de Brasília. O terceiro, o uso do Crescesta em operações destinadas, segundo a suspeita, a inflar carteiras de crédito. O quarto trata da compra de precatórios que teriam sido expedidos antes do encerramento dos respectivos processos judiciais. O quinto, finalmente, se concentra na rede de relações construída por Vorcaro, incluindo pagamentos às autoridades e influenciadores.